sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

PIG BROTHER BRASIL

Era uma vez 170 milhões de porquinhos que viviam as suas vidas dignamente como porquinhos. Moravam em um arejado chiqueiro de uma fazenda onde tinham os elementos necessários para contemplar a natureza e quem a fez. Lá todos os animais conviviam, não apenas em harmonia, mas em plena amizade. Cada um com seu jeito especial de ser, mas não tendo nenhum que buscava se sobressair. Eles passavam o dia todo comendo um pouco de cada uma das melhores comidas do local e ainda se refrescavam lambuzando-se numa deliciosa lama que tinha o divino poder de ensinar que a vida era boa e simples. Não é à toa que os porquinhos são os animais que passam mais tempo saboreando uma extrema sensação de prazer. E até o fim natural das coisas, tão indesejado e incompreendido para a maioria das pessoas, tinha sabor de Bacon e torresmo, porque na vida não vivida apenas para si, mas para um bem maior, até o seu fim pode favorecer os outros. Em contrapartida, o finado descansa em paz certo de que o sistema cuidará muito bem dos seus. Mas para que tudo continuasse nessa plenitude, o fazendeiro proibia os porquinhos de irem à floresta, pois sabia que lá eles iriam se perder.
Certa vez, desconfiados, vários porquinhos decidiram ir à floresta acreditando que a vida ficaria ainda melhor sendo cuidada por eles mesmos. Porém, havia na floresta um lobo que assoprava estranhos ventos carregados de terríveis vozes acusadoras. E o vento soprava cada vez mais forte levando pra fora as identidades dos porcos que logo já se viam como acomodados, anônimos e ordinários. Agora, eles se viam apenas vivendo em uma grande imundice. Sua comida predileta passou a ser vista como um fedorento lixo. E suas expectativas se resumiam a virar presunto.
Não demorou muito para que cada porco começasse a rejeitar os seus semelhantes. O individualismo começava a dominar as suas mentes, cada um vivia por si e, diante da imundice surgia a necessidade de se sobressair sobre os outros. Pouco a pouco cada porco procurou a sua porta. Cada um com o seu espírito de porco construía sua própria fortaleza de palha, mas que logo era destruída pelo vento de acusações.
Desprotegidos, com um lobo faminto e pronto para deverá-los, nenhum porco era mais capaz de voltar a fazenda, e muito menos de se unir para lutar contra o lobo.
Os porcos já viviam sempre com a cabeça encurvada para o chão, incapazes de ver o céu por eles mesmos, e a única saída que eles conseguiam ver era uma casa grande e bonita feita de tijolos chamada PIG BROTHER BRASIL.
Ao passo que buscavam individualismo, cada um tinha todos os seus passos milimetricamente observados pelo dono da casa, o Lobo obcecado para devorá-los. Fora da casa o lobo circulava pronto para comer. Dentro uma agradável sensação de ser observado e cada um começou uma disputa secreta para ver quem ganharia mais atenção.
De saco cheio de todo aquele exibicionismo, Lobo compreendendo o espírito de porco daqueles irmãos propôs uma gincana em que cada um levaria o outro ao paredão a fim de saciar o lobo até que ao chegar no último porco, satisfeito o lobo deixaria-o em paz.
O que ninguém percebia é que ninguém ganha na casa do Pig Brother Brasil e que todos já estavam com a morte decretada. Para piorar, o canal da Universal já até começou a dizer que a Fazenda tinha a mesma cara do Pig Brother.
O final feliz é que o próprio fazendeiro deixou sua fazenda e os seus porquinhos obedientes para buscar os porquinhos perdidos. Com tanto alarde que faziam na floresta, nem foi difícil achar a casa do Pig Brother Brasil. O lobo estava em volta forte e faminto. Creio que nenhum animal da floresta conseguiria vencê-lo. Mas o fazendeiro venceu de WO, pois o bichano saiu correndo apenas com a sua presença e a sua voz. Os porquinhos estavam envergonhados, mas o fazendeiro não estava lá para condenar ninguém e os guiou com segurança a velha fazenda onde viveram felizes para sempre.