sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Líderes fora do tempo

Nesta semana, passeando entre prateleiras de uma grande livraria da cidade, encontrei um livro de título bem curioso, “O líder do futuro”, de John Naisbitt, pela editora Sextante. O autor, que certa vez mencionou que “A nova fonte de poder não é o dinheiro nas mãos de poucos, mas informação nas mãos de muitos”, é especialista em tendências globais, trabalhou como alto executivo na IBM e na Eastman Kodak e tornou-se conhecido pelos seus livros, como o Best Seller, na lista de mais vendidos do New York Times por dois anos consecutivos, publicado em mais de 50 países e reconhecido como um dos maiores sucessos editoriais da década de 80, Megatrends (Megatendências).
O livro “O líder do futuro” também está sendo muito elogiado. Ele revela 11 “Modelos Mentais” que o autor considera fundamentais para se guiar num mundo cheio de informações e como se antecipar ao que está por vir. O tema (tanto liderança, como mudanças que acontecem com o passar do tempo) já é muito explorado por vários outros livros e até por outros meios. Quando vi a capa do livro de Naisbitt, logo me lembrei da matéria de capa da revista Época de 5 de julho de 2010, escrita por Alexandre Teixeira, com o título “Como se tornar um líder do século 21″. A matéria (falando de forma bem simplista) aborda habilidades como lidar com pessoas, encarar a complexidade e trabalhar em equipe. Em contrapartida, o livro de Naisbitt aborda temas sobre visão, análise do microambiente, tomadas de decisões e assim por diante.
O livro e a reportagem são muito bons, mas dão uma falsa sensação de que existe um pensamento extremamente novo e que agora devemos mudar completamente. Mas, analisando friamente, nos deparamos com pontos que sempre foram importantes, como relacionamento interpessoal e visão de negócio. A forma vai mudando. Alguns exemplos acabam sendo outros, mas existem princípios básicos de liderança que não mudam nunca. Quando eu lia sobre líderes do futuro, vinha a minha mente grandes líderes que viveram no passado, como Gandhi, Martin Luther King, Neemias, entre tantos outros, e notei que suas atitudes seguiam uma mesma premissa e acredito que antes de discutirmos as formas contemporâneas de liderança, precisamos analisar princípios adotados por grandes líderes que transcenderam o seu tempo.
Primeiro, ao analisarmos a biografia de grandes líderes, vemos que um líder nunca está totalmente pronto, pois esse é um processo de desenvolvimento contínuo no qual homens e mulheres usam suas mais diversas capacidades para influenciar pessoas para determinada direção. Assim, vimos também que existem vários estilos eficazes de liderança e nesse processo contínuo o líder está em constante amadurecimento, enquanto suas capacidades são divididas tanto entre sua personalidade como suas inteligências múltiplas.
Com isso, antes de ler vários livros para conhecer o perfil ideal de um líder, um verdadeiro líder deve antes saber se conhecer e perceber onde suas capacidades podem ser bem empregadas. Certamente, depois de se conhecer, um líder também saberá conhecer a sua equipe. Tanto a personalidade de cada um, como suas capacidades individuais.
Certa vez, em uma palestra de liderança, o preletor falou de uma técnica infalível para sabermos se somos bons líderes ou não: Olhe pra trás e veja quantas pessoas estão te seguindo. Um líder não é aquele que simplesmente dá ordens, mas é aquele que influencia pessoas. Pois o líder sabe que está exercendo bem seu papel quando as pessoas trabalham com excelência até mesmo em sua ausência. Aí, uso a frase de Antoine de Saint-Exupéry (Autor de O Pequeno Príncipe) que descreve bem um líder visionário: ‘Se você quer construir um barco não comece por procurar a madeira, cortar as tábuas ou distribuir o trabalho. Evoque primeiro nos homens e nas mulheres a ânsia do mar livre e vasto’. Além da esperança, para influenciar é preciso passar segurança e dar exemplo. A atitude é o que faz um líder.
Os três líderes que citei acima podem ser vistos erroneamente como exemplos não aplicáveis, por não liderarem dentro de uma empresa, mas exatamente por eles terem liderado como lideraram, sem o uso de folha de pagamento, é em que temos muito a aprender com eles sobre liderança. E pouco também faz lembrar o clássico O Monge E O Executivo por eles liderarem com o serviço, enquanto alguns tentam com o poder; eles delegavam funções para serem feitas como algo espontâneo, enquanto alguns ainda passam para ser uma obrigação; na liderança deles, a boa vontade era o estímulo, enquanto alguns estimulam com a ganância; e, como disse antes, eles davam um modelo, enquanto alguns dão o medo. Aqui nesse post eu falo muito por cima, mas existem excelentes livros que abordam esse ponto com mais aprofundamento. Aqui eu vou apenas citar alguns pontos em comum de grandes líderes que eu concluí como importantes.
Outro ponto que até citei rapidamente é que líder é formado diariamente. Mesmo cada um com uma personalidade e habilidades diferentes, todo amadurecimento de um líder o leva a ter maior conhecimento do micro e macro ambiente, ações mais contidas e muito mais foco. Em outras palavras, ele acaba fazendo menos, com mais excelência e precisão, mas para progredir nessa jornada é preciso de sensibilidade, confiança, persistência e submissão de várias coisas.
Alguns líderes estão naquela fase de querer abraçar o mundo, muito eufóricos e idealizadores que se não tomarem cuidado, acabarão morrendo na praia, sem nenhum seguidor, porque mesmo com todos os seus esforços e euforia, dificilmente passam segurança.
Estamos na era da informação, mas sempre foi a informação que despertou um líder. Uma mesma informação foi ciente a várias pessoas, mas uma pessoa em especial se despertou por ela. Seja o lançamento de uma nova tecnologia, o conhecimento de um novo nicho, certa demanda social, ou qualquer outra coisa, o líder recebe essa informação como um marco do início de uma nova jornada. Mas para o líder seguir por essa jornada, é preciso mais do que a informação. O líder se envolve com a causa como se num sentimento de compaixão. Esse é o seu grande incentivo para se mover. Assim, o líder é sensível para captar as informações, mas diferente de outros ele se sente movido. Muitos até são despertados por algo, por tanto, depois de pouco tempo, aquela informação não o estimula mais. Por isso, cuidado com o imediatismo. Prepare-se, informe-se mais, estude, analise. Aí entramos numa outra característica de um líder: Um líder é capacitado; e isso gera confiança.
Depois dos estudos e preparos, o líder fica mais ciente do que realmente quer. É esse o principal ponto em que ele se distinguirá de outros líderes: A visão. E após os planos estratégicos, o líder age. É isso que realmente faz um líder.
Existem vários processos do líder, como a informação, o engajamento, o preparo, a visão e até mesmo as pessoas que lhe seguem, mas o ponto principal é a sua ação. Outros pontos ou convergem à ação e dela surge como consequência o envolvimento de outras pessoas.
Quando outras pessoas estão envolvidas, ainda existe o processo contínuo de formação do líder, sendo que positivamente mobiliza pessoas e, negativamente, pessoas se opõem a ele injustamente. Delegar tarefas é primordial para um líder. Faça com que seu subordinado não se prive executando uma tarefa tão somente para você, mas conduza-o para algo maior que seja valor comum para todos. Isso nos remete novamente às palavras de Antoine de Saint-Exupéry.
Um líder também precisa de pessoas mais influentes a sua volta para ajudar a liderar maior número de pessoas e efetuar maior número de tarefas mantendo a mesma excelência. Mas é um erro dá poder a uma pessoa que não fez por merecer. Dê o pouco à pessoa, veja se ela é fiel no pouco e proporcionalmente aos resultados, dê-lhe muito. Na prática, funciona mais ou menos assim: dê tarefas simples em que se precisa apenas seguir exatamente o que foi solicitado, com pouca autonomia, e veja se ela é capaz de executá-la certamente. Desde honrar com o compromisso de fazer exatamente o que foi solicitado, até horário, prazo, entrega de relatórios entre outros. Parece simples, mas pessoas que não honram com isso, dificilmente saberão trabalhar com maior autonomia. O que acontece muitas vezes é a pessoa encher muito com o próprio ego. Mas se ela se mostra fiel ao seu exercício, delegue, aos poucos, poder. Deixe a pessoa ter mais flexibilidade de horário, ou permita que ela crie seus jeitos para fazer certo trabalho, deixe criar novos estilos para os clientes, esteja aberto para ver dela novas ideias para melhorar o trabalho e veja se ele ainda continua fazendo seu trabalho com excelência e, principalmente, mantendo o mesmo foco. E, se assim for, dê visibilidade. Tanto dentro da empresa como entre os clientes. Elogie em público. Aponte-o. São pessoas assim que um líder precisa, por isso, valorize. Aumente sua influência e, consequentemente, sua responsabilidade.
Mas existe também aquele que gosta de fazer parte da oposição. Mas existe a oposição positiva e é bom sempre distinguir um do outro. A positiva levanta pontos racionais e vem com metodologia justa, falando diretamente com o líder com o foco de fazer todos crescerem. Mas também existe a negativa que pode tanto levantar pontos lógicos, mas de forma injustas, como levantar pontos sem sentido algum e ainda de forma injusta. As razões para isso são várias, muitas pessoas tem a predisposição de não gostar de um líder e tenta sempre bloquear as ações de quem “canta de galo”. Outros até aceitam liderança, mas não sabem lhe dar com mudanças e sempre quando vem uma ideia nova, se bloqueia. E tem ainda aqueles que até gostam de um líder e são abertos a mudanças, mas por algum motivo, ou não, simplesmente não foram com a cara do líder, tornando uma questão de interesses e conflitos pessoais.
O grande problema da oposição não são suas razões, mas as metodologias injustas que passam por ridicularizar as ideias do líder para outras pessoas, intimidar o líder, deixando-o acuado, infiltrando no meio para fazer um grande estrago mais tarde, ou, como pior maneira em minha opinião, difamando as pessoas. E um verdadeiro líder precisa saber trabalhar com isso. Pois mais cedo ou mais tarde, sempre aparece um assim.
E essas coisas são vistas no decorrer da história com todos os grandes líderes. No futuro, assim como hoje, creio que ainda será assim. Muda-se o cenário, mas os personagens ainda são os mesmos. Os líderes sempre precisam estar preparados, por isso é importante estudar as atualidades, os cenários, as oportunidades e ameaças, mas isso só terá valia quando o leitor desses livros e matérias souber que isso é apenas uma pequena parte do processo de ser realmente um líder.

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