sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Desejo, necessidade e publicidade


Eu tinha um professor que achava absurdo quando os adolescentes afirmavam que estavam com “Sede de Coca-Cola”. Para ele, sede era sede e a única forma para saciá-la era com água e o resto seria supérfluo. O que o meu professor não entendia é que, ao mesmo tempo em que sede era sede, Coca-Cola é Coca-Cola sempre. Imagine você, naquele calor de final de ano, tomando posse daquela latinha gelada de Coca-Cola. As gostas de água que deslizam na superfície de sua embalagem já é um espetáculo à parte que deixa qualquer um com água na boca. A cerimônia ainda continua com a sua habilidade de abrir a lata para levar o refrigerante ao copo enquanto é produzida uma sonoridade ímpar. O líquido dança ao elevar seu nível até mais próximo da boca do novo recipiente enquanto o gás reproduz uma grande festa com minúsculos “pseudos” fogos de artifício. Até mesmo quando a gente toma uma água, preferimos que seja na caneca verde ou no copo de requeijão da turma do Snoopy. Isso acontece porque agregamos valores aos objetos que muitas vezes despertam até sentimentos afetivos e também porque temos uma dificuldade para distinguirmos o que é necessidade e desejos.
Para eu sair de casa e ir para o trabalho eu necessito de um meio de transporte. Seja um skate, coletivo ou automóvel, todos esses satisfarão a necessidade, mas de formas diferente. Em grosso modo, quanto mais nos aprofundamos na taxonomia, mais estamos nos desfazendo da necessidade e indo para o desejo. A psicologia começou a ser usada na publicidade, na década de 1920, para descobrir como os consumidores elegiam os aspectos mais atraentes de um determinado produto. Posteriormente, a psicologia também media a atenção, memorização e percepção dos consumidores sobre os produtos como todo. Além de investigar o comportamento do consumo, a psicologia brevemente já foi responsável por criar modos de influenciar esse comportamento. E desde então houve várias mudanças entre a relação da psicologia com a publicidade. O vídeo acima, assinado pela Leo Burnett, aborda de forma fantástica a relação das pessoas com os produtos e ainda mostra brilhantes soluções e exemplos. Segundo Vera Bachmann, Psicóloga Clínica com especialização em Psicologia Analítica, mestranda em Psicologia da Infância e da Adolescência Publicitária “Tanto a Psicologia do Consumidor quanto a Psicologia da Publicidade centraram-se sobre as motivações do comportamento de consumo. Porém, a Psicologia da Publicidade possui um aspecto que a distingue da primeira. Ela está mais voltada para a permeabilidade do comportamento e nas possibilidades de como influenciá-lo. Engloba também as investigações das crenças, das tendências e das motivações dirigidas a uma marca ou produto específico. Além disso, possui métodos e meios que avaliam exclusivamente o campo da Publicidade e da Propaganda: as pesquisas de imagem e personalidade de produtos e marcas, as pesquisas de esclarecimento da mensagem publicitária e os testes de controle da ação publicitária”.

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