sábado, 19 de julho de 2014

Bodas de mexirica

Fernanda,
Nestes nossos 6 anos de casados, diante de nossos amigos, eu queria, entre tantas coisas que eu tenho que falar, começar os meus votos te pedindo perdão.
Creio que uma das mais importantes tarefas que Deus nos deu é a de viver um dia de cada vez, ou melhor, viver a eternidade a cada momento, desfrutar a plenitude da vida em cada segundo. Essa tarefa por um lado parece ser muito prazerosa, mas, por outro lado, parece ser muito difícil de ser executada.
E eu, em vez de simplesmente executar essa tarefa, fico muitas vezes com paúra só de pensar em viver essa vida leve e tranquila sem a ansiedade do amanhã. E é por isso que eu quero te pedir perdão. Porque do mesmo jeito que eu recebi essa tarefa eu recebi você em minha vida. E vivendo com você e com Deus não faz sentido dizer que esta é uma tarefa árdua. Neste ano você foi testemunha que eu dei grandes passos para aprender mais sobre viver um dia de cada vez e estou disposto a aprender ainda mais.
Mas eu já sei (e tenho aprendido a cada dia) que a plenitude da minha vida é do seu lado. Mesmo a singela ação de nossas mãos se encontrarem quando estamos caminhando, por uma fração de segundo que seja, aquela segurada na mão que até depois alguém se esqueça, já é um kairòs.
Por isso, fazendo 6 anos de casado, muito mais que falar das grandes aventuras, aflições e alegrias que já passamos, ou dos sonhos que pretendemos realizar eu quero falar de cada momento presente. Almoçar com você, assistir a um filme, olhar nos seus olhos, comentar de um livro, darmos juntos uma boa risada, segurar a sua mão, orarmos juntos. Coisas que tínhamos no início do namoro, que temos hoje, e que vão existir mesmo depois que nossos sonhos já forem realizados, substituídos e até mesmo quando alguns sonhos nos deixarem frustrados. Isso nem tem tanta importância.
Obrigado por me amar como sou, me aceitar com minhas virtudes e limitações. Cuidar de mim e me fazer crescer. Obrigado por fazer parte da minha vida e estar disposta a viver um dia de cada vez comigo fazendo chuva ou sol.
Eu te amos

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Presente para dia dos namorados

Amanhã é 5º dia útil. Salário na conta e shopping lotado de pessoas que amam e são amadas e que buscam comprar algum objeto que consiga de alguma forma, mesmo que singela, expressar esse amor no próximo dia 12. Algumas pessoas já sabem exatamente o que vão dar, mas outras pessoas perdem até o ar no desespero de não encontrar o presente ideal. Vale lembrar que o principal não é o presente, mas o que ele expressa e como expressa.
Existe um livro chamado “As Cinco Linguagens do Amor” que foi lançado em 1992 e que ainda hoje aparece na lista dos mais vendidos do jornal The New York Times. Nesse livro o autor Gary Chapman aborda a importância de saber comunicar aquilo que você sente. Ele também fala que existem 5 linguagens para se expressar:
• Palavras de afirmação
• Tempo de qualidade
• Presentes
• Atos de serviço
• Toque físico
Olhando assim, parece que todas as linguagens funcionam para todos, mas é aí que está o grande desafio da comunicação. Cada pessoa tem uma linguagem que mais consegue perceber a afetividade. Algumas pessoas, mesmo tendo uma preferida, podem ter mais de uma linguagem. Porém, é comum que, em algumas pessoas, certas demonstrações de afetividade passem despercebidas ou até mesmo irritem.
Inconscientemente, todo mundo sabe qual é a forma mais eficaz dela mesma sentir afeto. O problema é que na hora de comunicar o seu sentimento afetivo para outra pessoa, utiliza da linguagem que ela mesma entende, ao invés de buscar a linguagem que a outra pessoa se sentiria querida. Em outras palavras, as pessoas demonstram amor, não da maneira que a outra pessoa se sentiria amada, mas como elas mesmas gostariam de serem amadas. E aí ocorre o problema de comunicação.
Agora, como aplicar essa teoria no dia 12? Seja o presente a linguagem de amor da pessoa ou não, é cultural a troca de presente e um passeio para esse dia. Não adianta cobrir a pessoa com elogios, caso palavras de afirmação seja a linguagem que ela compreenda a sua afetividade, pois mãos vazias vão frustrar qualquer um. Mas lembre-se que o seu presente precisa comunicar.
Então, ainda seguindo os conselhos do doutor Chapman, procure saber qual é a melhor forma da sua companhia sentir a sua afetividade. Se for palavra de afirmação, busque um presente que consiga elogiar por si só. Se for tempo de qualidade, dê um presente que mostre com clareza que precisou de tempo para consegui-lo. Se for presente, ótimo. Capriche no presente e crie o hábito de presentear constantemente. E assim por diante. Mas se você não sabe qual é a linguagem que seu namorado ou namorada mais compreende o amor, então a dica é dar cinco presentes, cada um com uma linguagem diferente e perceba de qual a pessoa mais vai gostar. Tentar, arriscar e descobrir também é muito bom. E ganhar cinco presentes então, nem se fala. Feliz dia dos namorados a todos.

sábado, 15 de março de 2014

Dia do consumidor

Todos nós somos consumidores. A gente come algo, veste uma roupa, mora em algum lugar e usa alguma coisa para se cobrir durante a noite. Em momentos relaxantes, ouvimos uma música, assistimos a um filme ou lemos um livro. Assim, em outras palavras, somos consumidores, pois o consumidor é simplesmente aquele que usa algum produto ou serviço para uso próprio. No entanto, quando olhamos para o verbo consumir, no dicionário, seu significado não será diferente a destruir, gastar, abater, enfraquecer, mortificar, entre outras palavras não menos pejorativas. O que é um fato, pois todos se utilizam de algo, que se desfaz ao ser consumido, para benefício próprio.
Seria então o consumo algo ruim? Obviamente que não. É por conta do consumidor que a economia gira, gera emprego, sustenta família, acelera o progresso, cria vários relacionamentos, e assim por diante. Onde devemos nos atentar é na identificação de quem é quem na relação consumidor e consumido.
A grosso modo, imaginamos que o consumidor é o cliente. E quando falamos em relação com o cliente, não consigo deixar de me lembrar da hierarquia empresarial para o atendimento ao cliente apresentado no livro de James C. Hunter, O Monge e o Executivo. Nesta história, mostra claramente a falha de várias empresas em seu funcionamento de liderança que convence os colaboradores de que os clientes são inimigos de guerra. E na vida real vejo que infelizmente não é diferente quando ouço pessoas das mais diversas áreas da economia, em conversas informais, reclamando de clientes.
Da mesma forma, clientes andam insatisfeitos com atendimento, serviços e produtos de várias empresas. Tanto que hoje existem ouvidorias, Procon, código de defesa do consumidor e até o Dia do Consumidor. Que por sinal, é comemorado hoje, devido famoso discurso de John Kennedy, em 1962, em que dizia que todo consumidor teria direito à segurança, à informação, à escolha e de ser ouvido.
Mas é muito estranho aceitar que alguém foi obrigado a dizer isso. É muito estranho aceitar que para muitos é comum a falha no relacionamento entre clientes e empresas. Mas para esses, trata-se de uma relação de amor e ódio ou um mal necessário. Mas, afinal de contas, um precisa do outro, e não se trata de uma questão quem consome e quem é consumido.
Pois a verdade é que ninguém quer ser consumido, abatido, mortificado, mas todos querem se desenvolver mais e mais a cada negócio realizado. Então, para começar, precisamos entender que não dá mais para consumir pessoas. Vamos aproveitar o dia do consumidor para nos lembrarmos que queremos consumir apenas produtos e serviços. Aliás, as empresas adoram oferecer produtos e serviços para o cliente consumir de forma satisfatória e, quando pessoas da empresa não são consumidas, a empresa consegue oferecer o que tem de melhor e cada vez com mais excelência. Por outro lado, empresas devem se atentar com seus clientes, também não os consumindo para que eles tenham cada vez mais satisfação e prosperidade, que, por sinal, é de onde vem o progresso.
Assim, desejo que a relação interpessoal entre consumidores e consumidos transforme-se em um relacionamento de amizade, confiança e respeito, entre clientes e empresas, abrindo oportunidade para que todos cresçam juntos e consumam cada vez mais.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Feliz dia do publicitário

A criatividade

Antoine-Laurent de Lavoisier (1743-1794), fundador da química moderna, certa vez concluiu que “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma” e desde então, adolescentes vêm decorando essa afirmação para começarem a aprender sobre composição das substâncias e seus componentes. No entanto, o princípio de Lavoisier foi tão bem empregado em tantas outras ciências que sua frase já está se tornando um ditado popular nos ambientes criativos para se acusar que nada mais se cria. Um exemplo disso surge na própria química, quando Dalton, em 1881, foi mais a fundo no princípio de Lavoisier, defendendo que a matéria era constituída por partículas denominada átomos, o problema é que isso já havia sido descrito pelo filósofo Demócrito em 400 a.C. Será que então é verdade que nada mais se cria? No livro poético Eclesiastes, o autor se queixava já naquela época dizendo “O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se fará; de modo que nada há de novo debaixo do sol”. O homem é um ser que difere muito dos outros seres vivos, não somente pelo raciocínio, mas, por tantas outras coisas como, por exemplo, a sua capacidade de criar. Ou seria a capacidade de transformar? Eu sei que a natureza é um exemplo de algo que o homem certamente não criou, mas somente desfruta, contempla e se aproveita. E sua capacidade de analisá-la e transformar, tanto a natureza, como algo inspirado nela, já é de grande esmero. E quando essa transformação é feita para solucionar questões, então, nem se fala. Não vejo como vergonhoso se inspirar consciente ou inconscientemente para criar ou transformar. A gente estuda, se aprimora, avalia, pega referências. E todas essas coisas são virtudes. O que importa mesmo não é criar algo do nada, mas, sim, criar algo para alguma coisa. E é assim que se analisa se alguém tem de fato criatividade.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Desejo, necessidade e publicidade


Eu tinha um professor que achava absurdo quando os adolescentes afirmavam que estavam com “Sede de Coca-Cola”. Para ele, sede era sede e a única forma para saciá-la era com água e o resto seria supérfluo. O que o meu professor não entendia é que, ao mesmo tempo em que sede era sede, Coca-Cola é Coca-Cola sempre. Imagine você, naquele calor de final de ano, tomando posse daquela latinha gelada de Coca-Cola. As gostas de água que deslizam na superfície de sua embalagem já é um espetáculo à parte que deixa qualquer um com água na boca. A cerimônia ainda continua com a sua habilidade de abrir a lata para levar o refrigerante ao copo enquanto é produzida uma sonoridade ímpar. O líquido dança ao elevar seu nível até mais próximo da boca do novo recipiente enquanto o gás reproduz uma grande festa com minúsculos “pseudos” fogos de artifício. Até mesmo quando a gente toma uma água, preferimos que seja na caneca verde ou no copo de requeijão da turma do Snoopy. Isso acontece porque agregamos valores aos objetos que muitas vezes despertam até sentimentos afetivos e também porque temos uma dificuldade para distinguirmos o que é necessidade e desejos.
Para eu sair de casa e ir para o trabalho eu necessito de um meio de transporte. Seja um skate, coletivo ou automóvel, todos esses satisfarão a necessidade, mas de formas diferente. Em grosso modo, quanto mais nos aprofundamos na taxonomia, mais estamos nos desfazendo da necessidade e indo para o desejo. A psicologia começou a ser usada na publicidade, na década de 1920, para descobrir como os consumidores elegiam os aspectos mais atraentes de um determinado produto. Posteriormente, a psicologia também media a atenção, memorização e percepção dos consumidores sobre os produtos como todo. Além de investigar o comportamento do consumo, a psicologia brevemente já foi responsável por criar modos de influenciar esse comportamento. E desde então houve várias mudanças entre a relação da psicologia com a publicidade. O vídeo acima, assinado pela Leo Burnett, aborda de forma fantástica a relação das pessoas com os produtos e ainda mostra brilhantes soluções e exemplos. Segundo Vera Bachmann, Psicóloga Clínica com especialização em Psicologia Analítica, mestranda em Psicologia da Infância e da Adolescência Publicitária “Tanto a Psicologia do Consumidor quanto a Psicologia da Publicidade centraram-se sobre as motivações do comportamento de consumo. Porém, a Psicologia da Publicidade possui um aspecto que a distingue da primeira. Ela está mais voltada para a permeabilidade do comportamento e nas possibilidades de como influenciá-lo. Engloba também as investigações das crenças, das tendências e das motivações dirigidas a uma marca ou produto específico. Além disso, possui métodos e meios que avaliam exclusivamente o campo da Publicidade e da Propaganda: as pesquisas de imagem e personalidade de produtos e marcas, as pesquisas de esclarecimento da mensagem publicitária e os testes de controle da ação publicitária”.

Líderes fora do tempo

Nesta semana, passeando entre prateleiras de uma grande livraria da cidade, encontrei um livro de título bem curioso, “O líder do futuro”, de John Naisbitt, pela editora Sextante. O autor, que certa vez mencionou que “A nova fonte de poder não é o dinheiro nas mãos de poucos, mas informação nas mãos de muitos”, é especialista em tendências globais, trabalhou como alto executivo na IBM e na Eastman Kodak e tornou-se conhecido pelos seus livros, como o Best Seller, na lista de mais vendidos do New York Times por dois anos consecutivos, publicado em mais de 50 países e reconhecido como um dos maiores sucessos editoriais da década de 80, Megatrends (Megatendências).
O livro “O líder do futuro” também está sendo muito elogiado. Ele revela 11 “Modelos Mentais” que o autor considera fundamentais para se guiar num mundo cheio de informações e como se antecipar ao que está por vir. O tema (tanto liderança, como mudanças que acontecem com o passar do tempo) já é muito explorado por vários outros livros e até por outros meios. Quando vi a capa do livro de Naisbitt, logo me lembrei da matéria de capa da revista Época de 5 de julho de 2010, escrita por Alexandre Teixeira, com o título “Como se tornar um líder do século 21″. A matéria (falando de forma bem simplista) aborda habilidades como lidar com pessoas, encarar a complexidade e trabalhar em equipe. Em contrapartida, o livro de Naisbitt aborda temas sobre visão, análise do microambiente, tomadas de decisões e assim por diante.
O livro e a reportagem são muito bons, mas dão uma falsa sensação de que existe um pensamento extremamente novo e que agora devemos mudar completamente. Mas, analisando friamente, nos deparamos com pontos que sempre foram importantes, como relacionamento interpessoal e visão de negócio. A forma vai mudando. Alguns exemplos acabam sendo outros, mas existem princípios básicos de liderança que não mudam nunca. Quando eu lia sobre líderes do futuro, vinha a minha mente grandes líderes que viveram no passado, como Gandhi, Martin Luther King, Neemias, entre tantos outros, e notei que suas atitudes seguiam uma mesma premissa e acredito que antes de discutirmos as formas contemporâneas de liderança, precisamos analisar princípios adotados por grandes líderes que transcenderam o seu tempo.
Primeiro, ao analisarmos a biografia de grandes líderes, vemos que um líder nunca está totalmente pronto, pois esse é um processo de desenvolvimento contínuo no qual homens e mulheres usam suas mais diversas capacidades para influenciar pessoas para determinada direção. Assim, vimos também que existem vários estilos eficazes de liderança e nesse processo contínuo o líder está em constante amadurecimento, enquanto suas capacidades são divididas tanto entre sua personalidade como suas inteligências múltiplas.
Com isso, antes de ler vários livros para conhecer o perfil ideal de um líder, um verdadeiro líder deve antes saber se conhecer e perceber onde suas capacidades podem ser bem empregadas. Certamente, depois de se conhecer, um líder também saberá conhecer a sua equipe. Tanto a personalidade de cada um, como suas capacidades individuais.
Certa vez, em uma palestra de liderança, o preletor falou de uma técnica infalível para sabermos se somos bons líderes ou não: Olhe pra trás e veja quantas pessoas estão te seguindo. Um líder não é aquele que simplesmente dá ordens, mas é aquele que influencia pessoas. Pois o líder sabe que está exercendo bem seu papel quando as pessoas trabalham com excelência até mesmo em sua ausência. Aí, uso a frase de Antoine de Saint-Exupéry (Autor de O Pequeno Príncipe) que descreve bem um líder visionário: ‘Se você quer construir um barco não comece por procurar a madeira, cortar as tábuas ou distribuir o trabalho. Evoque primeiro nos homens e nas mulheres a ânsia do mar livre e vasto’. Além da esperança, para influenciar é preciso passar segurança e dar exemplo. A atitude é o que faz um líder.
Os três líderes que citei acima podem ser vistos erroneamente como exemplos não aplicáveis, por não liderarem dentro de uma empresa, mas exatamente por eles terem liderado como lideraram, sem o uso de folha de pagamento, é em que temos muito a aprender com eles sobre liderança. E pouco também faz lembrar o clássico O Monge E O Executivo por eles liderarem com o serviço, enquanto alguns tentam com o poder; eles delegavam funções para serem feitas como algo espontâneo, enquanto alguns ainda passam para ser uma obrigação; na liderança deles, a boa vontade era o estímulo, enquanto alguns estimulam com a ganância; e, como disse antes, eles davam um modelo, enquanto alguns dão o medo. Aqui nesse post eu falo muito por cima, mas existem excelentes livros que abordam esse ponto com mais aprofundamento. Aqui eu vou apenas citar alguns pontos em comum de grandes líderes que eu concluí como importantes.
Outro ponto que até citei rapidamente é que líder é formado diariamente. Mesmo cada um com uma personalidade e habilidades diferentes, todo amadurecimento de um líder o leva a ter maior conhecimento do micro e macro ambiente, ações mais contidas e muito mais foco. Em outras palavras, ele acaba fazendo menos, com mais excelência e precisão, mas para progredir nessa jornada é preciso de sensibilidade, confiança, persistência e submissão de várias coisas.
Alguns líderes estão naquela fase de querer abraçar o mundo, muito eufóricos e idealizadores que se não tomarem cuidado, acabarão morrendo na praia, sem nenhum seguidor, porque mesmo com todos os seus esforços e euforia, dificilmente passam segurança.
Estamos na era da informação, mas sempre foi a informação que despertou um líder. Uma mesma informação foi ciente a várias pessoas, mas uma pessoa em especial se despertou por ela. Seja o lançamento de uma nova tecnologia, o conhecimento de um novo nicho, certa demanda social, ou qualquer outra coisa, o líder recebe essa informação como um marco do início de uma nova jornada. Mas para o líder seguir por essa jornada, é preciso mais do que a informação. O líder se envolve com a causa como se num sentimento de compaixão. Esse é o seu grande incentivo para se mover. Assim, o líder é sensível para captar as informações, mas diferente de outros ele se sente movido. Muitos até são despertados por algo, por tanto, depois de pouco tempo, aquela informação não o estimula mais. Por isso, cuidado com o imediatismo. Prepare-se, informe-se mais, estude, analise. Aí entramos numa outra característica de um líder: Um líder é capacitado; e isso gera confiança.
Depois dos estudos e preparos, o líder fica mais ciente do que realmente quer. É esse o principal ponto em que ele se distinguirá de outros líderes: A visão. E após os planos estratégicos, o líder age. É isso que realmente faz um líder.
Existem vários processos do líder, como a informação, o engajamento, o preparo, a visão e até mesmo as pessoas que lhe seguem, mas o ponto principal é a sua ação. Outros pontos ou convergem à ação e dela surge como consequência o envolvimento de outras pessoas.
Quando outras pessoas estão envolvidas, ainda existe o processo contínuo de formação do líder, sendo que positivamente mobiliza pessoas e, negativamente, pessoas se opõem a ele injustamente. Delegar tarefas é primordial para um líder. Faça com que seu subordinado não se prive executando uma tarefa tão somente para você, mas conduza-o para algo maior que seja valor comum para todos. Isso nos remete novamente às palavras de Antoine de Saint-Exupéry.
Um líder também precisa de pessoas mais influentes a sua volta para ajudar a liderar maior número de pessoas e efetuar maior número de tarefas mantendo a mesma excelência. Mas é um erro dá poder a uma pessoa que não fez por merecer. Dê o pouco à pessoa, veja se ela é fiel no pouco e proporcionalmente aos resultados, dê-lhe muito. Na prática, funciona mais ou menos assim: dê tarefas simples em que se precisa apenas seguir exatamente o que foi solicitado, com pouca autonomia, e veja se ela é capaz de executá-la certamente. Desde honrar com o compromisso de fazer exatamente o que foi solicitado, até horário, prazo, entrega de relatórios entre outros. Parece simples, mas pessoas que não honram com isso, dificilmente saberão trabalhar com maior autonomia. O que acontece muitas vezes é a pessoa encher muito com o próprio ego. Mas se ela se mostra fiel ao seu exercício, delegue, aos poucos, poder. Deixe a pessoa ter mais flexibilidade de horário, ou permita que ela crie seus jeitos para fazer certo trabalho, deixe criar novos estilos para os clientes, esteja aberto para ver dela novas ideias para melhorar o trabalho e veja se ele ainda continua fazendo seu trabalho com excelência e, principalmente, mantendo o mesmo foco. E, se assim for, dê visibilidade. Tanto dentro da empresa como entre os clientes. Elogie em público. Aponte-o. São pessoas assim que um líder precisa, por isso, valorize. Aumente sua influência e, consequentemente, sua responsabilidade.
Mas existe também aquele que gosta de fazer parte da oposição. Mas existe a oposição positiva e é bom sempre distinguir um do outro. A positiva levanta pontos racionais e vem com metodologia justa, falando diretamente com o líder com o foco de fazer todos crescerem. Mas também existe a negativa que pode tanto levantar pontos lógicos, mas de forma injustas, como levantar pontos sem sentido algum e ainda de forma injusta. As razões para isso são várias, muitas pessoas tem a predisposição de não gostar de um líder e tenta sempre bloquear as ações de quem “canta de galo”. Outros até aceitam liderança, mas não sabem lhe dar com mudanças e sempre quando vem uma ideia nova, se bloqueia. E tem ainda aqueles que até gostam de um líder e são abertos a mudanças, mas por algum motivo, ou não, simplesmente não foram com a cara do líder, tornando uma questão de interesses e conflitos pessoais.
O grande problema da oposição não são suas razões, mas as metodologias injustas que passam por ridicularizar as ideias do líder para outras pessoas, intimidar o líder, deixando-o acuado, infiltrando no meio para fazer um grande estrago mais tarde, ou, como pior maneira em minha opinião, difamando as pessoas. E um verdadeiro líder precisa saber trabalhar com isso. Pois mais cedo ou mais tarde, sempre aparece um assim.
E essas coisas são vistas no decorrer da história com todos os grandes líderes. No futuro, assim como hoje, creio que ainda será assim. Muda-se o cenário, mas os personagens ainda são os mesmos. Os líderes sempre precisam estar preparados, por isso é importante estudar as atualidades, os cenários, as oportunidades e ameaças, mas isso só terá valia quando o leitor desses livros e matérias souber que isso é apenas uma pequena parte do processo de ser realmente um líder.

Não vamos nos alienar

Esse ano é o ano mais arriscado para uma super alienação dos brasileiros. Abaixo está um texto que publiquei às vésperas da eleição de 2010:

No próximo domingo à noite, provavelmente vamos nos deparar com a cena de pessoas de verde e amarelo nas ruas gritando com extrema e sincera alegria Brasil, Brasil, Brasil. Esse será mais um reflexo do amor e da esperança que o nosso povo tem pela nação. Com proporções obviamente bem menores, afirmo isso com base em que o post mais lido do nosso blog foi tranquilamente o do dia 2 de julho, intitulado “Viva o Brasil”, quando falávamos para continuarmos torcendo pelo país, mesmo com a derrota na Copa do Mundo. O que acontecerá agora neste domingo é mais uma clássica oportunidade para mostrarmos o quanto torcemos pelo nosso país, mas, diferente da simples posição da arquibancada, de onde frequentemente ouvimos pessoas criticando a escalação feita por determinado técnico, desta vez nós assumimos também o papel de técnico tendo a oportunidade de fazer uma opção séria para as vitórias de nosso país. O que eu gostaria que acontecesse neste final de semana é que esse mesmo senso crítico que existe em nós para criticarmos as escalações dos técnicos prevalecesse também diante das urnas, para que todos possam gritar com extrema e sincera alegria Brasil, Brasil, Brasil.
Mas para essa alegria ser realmente extrema, o senso crítico não pode ser norteado pelo o quão próximo o candidato é de você, sendo um conhecido da família, um vizinho, um amigo de infância, nem por pequenas trocas de favores, ou promessas de ajudar uma pequena fração da sociedade da qual você faz parte, mas pelo comprometimento de um Brasil por inteiro e por ações que resolvem consequências dos problemas e não meramente as causas.
Infelizmente, muitas pessoas que querem gritar Brasil, Brasil, Brasil não pensam nesse bem comum. Mas, mesmo sendo duro afirmar, convenhamos que rico (incluindo classe média) não precisa de estado. Eles pagam pela saúde, pela educação, pela segurança e, assim, o bom governo só precisa mesmo ser aquele que não atrapalha. Então, surge um outro grupo das mais diversas classes sociais pelos mais variados motivos, totalmente alienados à política. Surgem também os grupos céticos à estrutura. E enfim, muitos brasileiros acabam fazendo um péssimo proveito dos seus votos.
Porém eu acredito que todos devem fazer a sua parte com excelência. Como podemos exigir que os outros façam corretamente a sua parte, ou como podemos esperar ações só dos outros, enquanto não fazemos nem a nossa parte que, muitas vezes, é bem mais simples que a dos outros? Todos os candidatos têm passado e proposta de futuro. Busque conhecê-la, veja se essas propostas condizem com um bem geral da nação. Se o passado revela uma integridade com o que ele se propõe no presente. E não vamos mais tolerar preconceitos ou meras simpatias por uma pessoa ou outra, ou um partido ou outro. Então, no dia 3 de outubro, você realmente estará exercendo uma atitude de cidadania.
Veja algumas dicas de sites que te ajudarão a fazer um voto mais consciente. Procure o seu candidato e reflita se essa é a melhor atitude:
http://eptv.globo.com/campinas/especiais/eleicoes/dept-federal.aspx
http://eptv.globo.com/campinas/especiais/eleicoes/dept-estadual.aspx
http://www.transparencia.org.br/
http://www.fichalimpa.org.br/
E depois, entrando no governo quem você pretendia ou não, continue torcendo pelo país. Uma boa forma para isso é exercendo cidadania durante os 4 anos. Cobre, indiferente do partido que for, uma reforma tributária para acabar com os impostos abusivos que impedem o progresso; uma reforma eleitoral que não admita mais que tantas pessoas visivelmente sem propósito ou mal intencionadas ocupem cargos públicos; uma reforma pública para diminuir tanta corrupção do governo; e um sério comprometimento para diminuir a violência, a desigualdade social e aumentar o investimento na saúde e na educação. Então assim gritaremos com extrema e sincera alegria Brasil, Brasil, Brasil.

Um texto antigo sobre copa

O brasileiro é significantemente caracterizado pela união e por ser carregado de grandes emoções. E em 4 em 4 anos, parece que o seu coração bate muito mais forte. É um ano de esperança para o país, tanto nas eleições como na Copa do mundo. Mas uma coisa é fato: Entre esses dois eventos, o Brasil se destaca muito mais lá fora pelo seu futebol. E brasileiro que é brasileiro quer se orgulhar de sua nação, seja como for. E sem falar que as eleições dividem um povo, enquanto a Copa do mundo uni todos para torcer para um mesmo fim.
E é por isso que o verde e amarelo aparecem em cada esquina tupiniquim. Esta é a marca da união e do sonho de ver o país campeão. Todos querem ver um gol do Brasil, mas ninguém quer ver isso sozinho. Tem que ter alguém pra abraçar, para ouvir o seu grito, para ver você pulando como uma criança que acaba de ganhar um presente de Natal. Fazer isso tudo sozinho é estranho demais, então grupos de torcedores se encontram, muitas vezes em alguma residência. Mas como todo evento, para realizar esse mini evento residencial também é preciso deixar o local impecável em todos os detalhes para todas as preocupações serem focadas somente na partida de futebol.
Então vejamos: O local já foi definido. O dia e o horário também. Alias, é muito importante se atentar ao horário, se for à noite, por exemplo, já sabemos que o evento vai durar muito mais tempo que se fosse durante à tarde. E falando em coisas importantes, e a televisão? Lembre que ela é a principal atração da noite, por isso que em época de Copa do mundo o número da venda de Televisores aumenta tanto, aliás, este evento tem que ser perfeito. O som da TV? Se tudo estiver ok, seguimos para outros ítens. Decoração do espaço, a roupa que você vai vestir, acessórios para torcer e os acessórios para comemorar. Lembre-se que toda reunião precisa ser servido algo. Sim, o comes e bebes, e saiba que tem gente que até compra refrigeradores na época da copa para garantir a ceveja geladinha. E onde têm comes e bebes, fica a dica de quem trabalha com eventos: O banheiro tem que estar impecável. Pois é, Copa do mundo é um corre corre,
mas que vale a pena para sentir as fortes emoções.
Este corre corre obviamente também acontece no comércio que foca seus esforços para atender essa demanda. A publicidade que aposta muito neste tema para vender os mais diferenciados produtos e serviços. Assim como, na roda de amigo também o tema Copa do mundo é sempre o que prevalece.

Começamos o ano falando sobre o fim

Quando falamos em começar alguma coisa nova, geralmente, nos traz a bons pensamentos. Algo novo nos remete a renovar a esperança e a transformar para melhor. No entanto, para isso acontecer, é preciso começar direito. Começar sem destruir nada é um bom caminho. Ainda mais quando lembramos que tudo pode ter um fim se não cuidarmos direito.
2010 foi um ano de muita esperança com eleições para presidente e Copa, mas  um assunto muito falado em seu início foi o fim, por conta da estreia do filme 2012, exibido em broadcast recentemente. Creio no entanto que o assunto sobre o fim é mais fruto do mau uso dos recursos naturais. Junto com o filme 2012, o ano começou também com tristes notícias de enchentes, como a de Angra dos Reis, e terremotos, como a do Haiti.
Essas fatalidades pareciam estar muito mais ligadas a um descaso com o meio ambiente do que com uma profecia Maia. Tanto que 2012 passou e a nossa preocupação com o planeta continua.
Existem mais de 40 profecias de final do mundo com datas e horários e todas elas simplesmente não deram certo. Profecias essas feitas por líderes das mais diversas religiões, místicos, ufologistas, cientistas como astrônomos, geólogos e climatologistas, e, não podendo faltar, produtores de Hollywood. Temos hoje uma enorme variedade de títulos de filmes que mostram diversas formas de final do mundo. O último que tivemos conhecimento é o 2012, que recebeu esse título inspirado na crença desenvolvida por alguns místicos de que o mundo iria terminar no dia 21 de dezembro de 2012. Essa data surgiu de um antigo calendário utilizado pelo antigo povo Maia e por outros povos da região. Esse calendário marca um longo período que para o nosso calendário seria do dia 11 de agosto de 3011 a.C. ao dia 21 de dezembro de 2012 d.C.. Algumas pessoas interpretam que essa data representa um ciclo e após o final do calendário se iniciaria outro ciclo, no entanto, os mais sensacionalistas preferem acreditar que essa seja a data do final do mundo. O pior dessas profecias é que elas mostravam um fim premeditado por conta de uma força superior, algumas vezes até sobrenatural, que colocam o ser humano numa situação inocente diante de tudo isso e, assim, acabam por acreditar que não é preciso e nem adianta cuidar do planeta, que por sinal, pelo que eles acreditam, o mundo teria seu fim unicamente por causa de uma profecia e não porque o homem o maltrata.
A profecia se foi, mas o problema continua. Além das profecias, diversas vezes vejo pessoas encontrando outros culpados como China, EUA, as indústrias em geral, a ração do cachorro, o governo e até mesmo Deus. Acho que uma coisa que precisa acabar de vez, para o bem do nosso planeta, é essa mania de procurar um culpado e, ao invés disso, assumir cada um a sua parte. Exatamente, pois o planeta é perfeito e foi nos dado como um grande presente de onde todos tiram as suas riquezas. Por tanto, cuidar é responsabilidade de todos.

E que o estímulo não seja o fim, mas o recomeço com mais qualidade de vida. Já no primeiro século, por exemplo, Paulo de Tarso, o apóstolo, escreve uma carta para a cidade de Roma falando para cuidarmos da natureza. Creio que naquela época ele não estava pensando no fim do mundo, mas pensava numa atitude responsável para todos que demonstrava zelo para o meio ambiente, para consigo mesmo e para com os outros. Com essa qualidade de vida, o crescimento é certamente mais farto.

Ecologia - Desafios para vencer

Inconsciência – Esse é o obstáculo mais simples de ser vencido. Às vezes as pessoas não contribuem por não saber. Mas isso é resolvido facilmente com uma boa explicação.
Egocentrismo – Quando a pessoa já está informada, cabe agora ela estar disposta a se mover a um favor comunitário. Às vezes a atitude ecologicamente correta tira a pessoa de uma zona de conforto, então, nessa hora várias pessoas lavam as mãos e ainda deixam a torneira aberta. Pessoas neste obstáculo muitas vezes até fazem uma coisa ou outra, mas no geral deixam de fazer várias outras coisas ao seu alcance se justificando pelo o que já fazem ou ainda se justificando pelo o que os outros não fazem.
Mudança de hábitos - Várias pessoas ficam conscientes e complacentes com as questões ambientais. Porém, ainda por vícios, acabam assumindo antigos costumes sem querer. Não tem problema, a solução para isso é manter-se atento e persistir que logo as ações ecologicamente corretas se tornarão habituais. Mas enquanto ainda é uma dificuldade, coloque lembretes em pontos estratégicos. Isso ajuda muito.
Paradigma – Esse é um problema sério. Podemos cometer o risco de fazer certas coisas que nunca percebemos o mal que isso faz, ou até percebemos que não é totalmente nocivo, mas não conseguimos imaginar uma solução. Lembro facilmente de vários exemplos de antigos paradigmas que foram quebrados por estarmos atentos a mais informações. A gente tem que tomar cuidado para não achar que já somos expert no assunto, pois sempre surgirá algo novo para aprendermos.
Infraestrutura – Depois que aprendemos um monte de coisa e nos dispormos a mudar de hábitos, arrumamos várias coisas do nosso meio e começamos uma nova vida. E aí, fora de casa ou do escritório, vimos outra realidade. Não encontramos lixos, não sabemos onde jogar óleo de cozinha, pilhas e baterias, e outros materiais complicados de se misturar com o meio ambiente. A infraestrutura deixa a desejar ainda muito e nós temos que nos adaptar com tudo isso.

Pessoas – Além da infraestrutura, encontramos pessoas que não tem o mesmo comprometimento que você e elas são um dos maiores obstáculos. Sei que as atitudes devem surgir de cada um isoladamente, mas andorinha sozinha não faz verãos, e as andorinhas que não voam, muitas vezes ainda buscam sabotar. A sabotagem vem de várias maneiras, atitudes que desfazem tudo o que foi feito, justificativas, ridicularizarão entre outros. O ruim que esse obstáculo é muito forte para desencorajar várias pessoas já engajadas.

A imprensa e a educação

Não quero entrar na polêmica se o digital substituirá o impresso. Tem gente que gosta de fazer enormes discussões sobre isso, mas acho que a melhor resposta para essa questão só pode ser dada pelo futuro. O que o presente nos revela é que constantemente as empresas gráficas buscam cada vez mais tecnologias e o mercado constantemente procura os seus serviços de forma intensa.
Talvez as pessoas que sugerem a futura substituição de todo trabalho gráfico para o trabalho digital desconsideram como seria difícil a vida de hoje sem as empresas gráficas. Essa realidade não é difícil, portanto, de imaginar, se olharmos para a história e nos remetermos à vida antes do grande invento de Gutenberg.
Os amanuenses, também conhecidos como copistas, copiavam diversos textos e documentos à mão. Essa era a única forma para reproduzir uma obra literária para que mais pessoas pudessem ter acesso a eles. Com esse minucioso trabalho de escrever página por página de um livro, em 1424, por exemplo, a Universidade de Cambridge, no Reino Unido, possuía apenas 122 livros – e o preço de cada um era equivalente ao de uma fazenda ou vinícola. Sim, na época existia universidade, mas era algo bem mais elitizado do que hoje. Com o livro valendo os olhos da cara, não existia muito motivo para se aprender a ler e aquela sociedade, predominantemente rural, tinha a enorme maioria de sua população analfabeta.
Como se não fosse o bastante, algumas pessoas que tinham o conhecimento não o compartilhavam e ainda se aproveitavam da ignorância da maioria. Acredito que a frase célebre de Josef Goebbels, o marqueteiro político de Hitler, expressa bem o que acontecia nessa época: “Uma mentira, cem vezes dita, torna-se verdade”. Infelizmente, isso faz parte de nossa história. A venda de indulgência, por exemplo, foi algo repetido várias vezes que fez com que ninguém mais contestasse essa realidade. Ainda mais porque era dito por pessoas que tinha acesso a importantes livros e ainda convenciam a população de que suas diretrizes estavam baseadas nas Sagradas Escrituras.
Foi neste contexto histórico que surgiu o grande invento de Gutenberg.
Foi em 1455 que esse ourives alemão realizou seu grande sonho de pegar nas mãos um livro impresso com sua técnica inédita e infalível: a prensa de tipos móveis. Esse livro era o Novo Testamento que tinha acabado de ser traduzido pelo monge e professor universitário, Martinho Lutero, afim de criar uma geração de críticos. Vale lembrar que poucos do clero tinham conhecimento do latim e com essa tradução fariam pessoas influentes refletirem sobre o que acreditavam. No entanto, não podemos também esquecer que esses quase 200 livros foram impressos numa época que poucos sabiam ler.
Porém Gutenberg e Lutero realmente queriam formar uma população crítica, que pensasse, refletisse e se desenvolvesse, não somente na fé, mas em vários outros campos. Então, essa primeira empresa gráfica, ainda no século XV, assumiu a importante responsabilidade social de não somente imprimir o livro, mas também educar a população. A partir da imprensa, Lutero foi encorajado a criar um grande projeto que incluiu construção de escolas populares. Outros livros começaram a ser impresso e o povo estava sedento por leitura. Até 1489, já havia prensas na Itália, França, Espanha, Holanda, Inglaterra e Dinamarca. Em 1500, cerca de 15 milhões de livros já haviam sido impressos. Gutenberg conseguiu, com seu invento, suprir a crescente necessidade por conhecimento da Europa rumo ao Renascimento.

A imprensa transformou o mundo já no início e mostrou ter poder de fazer ainda muito mais do que podemos imaginar. Certa vez ouvi uma frase em uma palestra do consultor de negócios da NASA, Rich Porter: “Nada nos difere de um analfabeto quando decidimos por não ler”. Não sei se a frase é dele ou ele simplesmente ouviu de outra pessoa e falou, mas acho relevante pensar que agora temos acesso muito mais fácil de informação para refletir, criticar, questionar, agir e crescer. Vamos fazer bom proveito, então.

Viva o Brasil


2014 será marcado pela copa no Brasil. E como primeira postagem do ano, achei ideal publicar um texto que escrevi para o site da EE2 no dia que perdemos a Copa:

Imagine se hoje à noite um homem de verde e amarelo fosse às ruas e começasse a gritar com extrema e sincera alegria Brasil, Brasil, Brasil. Muitos o achariam louco, provocador ou mal informado. Mas provavelmente se esse mesmo homem fosse à mesma rua, mas durante a manhã de hoje, muitos o abraçariam e formariam um coro com ele gritando juntos Brasil, Brasil, Brasil. Pois é, depois de vários jogos bonitos na Copa da África do Sul, hoje é o dia em que a nossa seleção volta para casa. É inevitável o sentimento de decepção e frustração. Muitos esperavam pelo hexa, eu, porém, ainda estou esperando. O ano de Copa começa sempre diferente. Nós brasileiros passamos o semestre inteiro com uma grande expectativa. É o nosso país fazendo bonito para o mundo inteiro. Então a gente vai se preparando. Começa querer pintar tudo de verde. A gente pega um objeto qualquer, olha pra ele e se pergunta. Posso pintar de verde? Se pode, pinta. Se não pode, pinta de amarelo. E assim, decoramos o carro, a casa e o escritório com a bandeira brasileira. Nosso guarda roupa é inteiramente de verde e amarelo e estamos orgulhosos por sermos brasileiros. Gritamos Brasil, Brasil, Brasil. E quando ficamos roucos, compramos vuvuzelas, matracas, cornetas, buzinas e até harpas se precisar. O único problema é que em um mundial ou outro, a seleção brasileira acaba não ganhando. Quando isso acontece, a gente percebe que o barulho das vuvuzelas e afim vão diminuindo o volume e quando está bem baixinho, ainda assim não dá mais para ouvir os gritos Brasil, Brasil, Brasil. As cores verdes e amarelas vão sendo substituídas por outras cores até percebermos que a nossa bandeira já foi arriada, dobrada e guardada bem no fundo da gaveta para ser usada só daqui 4 anos. E nesse período, imagens de pessoas gritando com extrema e sincera alegria Brasil, Brasil, Brasil, serão tidas como absurdas. Eu me lembro de uma menina, que hoje já é uma adolescente, chamada Ana Carolina, que na Copa de 2006, depois do jogo contra a França, que aconteceu num sábado, 1º de julho, em que o Brasil perdeu de 1 a 0, ela foi à escola na segunda-feira com a camisa da seleção com muito orgulho. Seus amigos e colegas de escola tiraram sarro e ficaram inconformados por ela ainda carregar o Brasil no peito mesmo depois da derrota. Eu me lembro de sua resposta até hoje “Eu sei que o Brasil perdeu, mas isso não importa. Eu ainda continuo torcendo para o Brasil”. Todo dia a gente aprende alguma coisa, mas normalmente as lições mais preciosas vêm das crianças. Eu sinto muito pela derrota da nossa seleção, mas não importa. Eu continuo torcendo pelo Brasil. Ah, o vídeo de cima é do Huaska, banda do Rafael Moromizato, o nosso editor de vídeos. A música foi uma regravação da música “Doutor em Futebol” (Moreira da Silva/Waldemar Pujol) e participou da promoção da Oi Novo Som – Versão Futebol.