sábado, 18 de agosto de 2012

Um pouquinho de Brasil, Iaiá

Este não é um post politicamente correto, mas não seria saudável colocar panos quentes ao que vem acontecendo e magoando tanta gente: o jeitinho brasileiro. Quero contar algo que ocorreu com minha esposa em Salvador, mas sei que esta história só exemplifica o que ocorre em tantos outros lugares. Ainda não tive oportunidade de conhecer a Bahia, mas já ouvi depoimentos fantásticos e conheço muita gente boa de lá. Por isso, não se atente a localização geográfica da história que vou contar, pois também devemos considerar que, quando estamos como turistas, temos grandes expectativas das coisas e nossos sentidos ficam aguçados de uma forma fora de série.
Minha esposa esteve este mês em Salvador e gostou muito do lugar, mas ficou triste em ver em vários pontos alguns baianos se aproveitando dos turistas para ganhar a vida. Numa madrugada, por exemplo, aproveitando da ingenuidade dos estrangeiros, dois taxistas inventaram uma história de que no Brasil era proibido levar mais de um passageiro em um táxi, obrigando os dois gringos que estavam juntos e indo para o mesmo lugar a irem em dois carros, pagando o dobro. Quando minha esposa se deu conta, viu que em cada esquina alguém buscava dar de esperto para ganhar a vida. Como se não fossem o suficiente a riquezas natural, cultural, gastronômica e histórica da cidade, além do forte comércio, das empresas na Tancredo Neves, sua agropecuária, as indústrias, como petroquímica e automobilística, o porto e tantos outros fatores que fazem de Salvador uma das 10 cidades mais ricas do Brasil e estar quase entre as 10 melhores para se construir carreira.
Parece que estão sempre inventando formas diferentes para passar a perna. No Pelourinho, foi a vez de minha esposa sofrer o constrangimento do jeitinho brasileiro. Duas baianas com muita simpatia se ofereceram para tirar uma foto com minha esposa. No meio da pose, uma das baianas falou bem baixinho com sorriso no rosto e um tom intimidador para “deixar uma ajudinha para a baiana”. Quando foi dar umas moedas para ajudar, uma das "modelos fotográficas profissionais" já sacou um bolo de nota de 10 e começou a falar com muita estupidez para pagar 10 reais pela foto. Dizia como se minha esposa tivesse aproveitado de um serviço e não queria pagá-lo corretamente. A baiana falava com tom de ameaça e tentava gerar culpa por ter tirado uma foto dela. De forma ríspida ela se mostrava muito irritada e começou a tratar muito mal a minha esposa e a coagia a dar-lhe o dinheiro. Mesmo constrangida, minha esposa se recusou a pagar e, para resolver todo o incômodo, pediu desculpas pelas fotos, se justificou que não sabia que era tão caro e decidiu então deletar a foto da máquina. Se não está disposto a pagar o preço, fica sem o produto. Justo? Mas a baiana não se deu por satisfeita e continuou a pressioná-la dizendo que ela deveria pagar de qualquer jeito pelo do tempo do serviço. Ai se essa baiana trabalhasse no atendimento de uma agência. Muita gente deve se sentir intimidada com a atuação de gente assim no Pelourinho, talvez até com medo de ser vítima de um trabalho, e acaba pagando, mas minha esposa ia deletar a foto. No fim, a baiana conseguiu o que queria com uma amiga de minha esposa pagando os tais 10 reais para não esquentar a cabeça. E como foi comprado, me dei ao direito de publicá-la neste post.
Claro que não podemos ignorar a enorme desigualdade social, ou que 10 reais são relativamente nada à maioria dos leitores que pagariam isso numa boa para não perder um bom passeio. Mas o problema é que depois que aceitamos estas justificativas vemos um país inteiro com esse jeitinho brasileiro e, se formos mais corajosos, notaremos em nós este jeitinho de ser. Seja sonegando o imposto de renda, pois, assim como uma baiana vê um turista rico, a gente sabe que o governo tem demais e usa mal os seus recursos; seja com a apresentação falsa de atestado de pobreza, pois afinal de contas uma pessoa de classe econômica inferior a você não poderia ter algum privilégio a mais; ou até mesmo no facebook escondido na hora do trabalho, pois seu chefe já tem grana demais pelo todo que você trabalha.
Parece que de uma forma ou de outra todos nós estamos numa terra alegre chamada Salvador, cultuando entidades que exaltam nossa individualidade para sempre buscarmos uma forma da gente mesmo vencer sobre o outro, pois ao invés de buscar nosso socorro no Salvador, adotamos o lema do salve-se quem puder.