quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Matéria sobre o Caverna do Dragão

A gente não faz ideia do público que é alcançado com um blog. Às vezes, parece que estamos escrevendo só para nós mesmo, mas depois aparece um e outro comentando sobre isso ou aquilo que escrevemos, desconstruindo assim todo o nosso conceito do blog. O espanto é ainda maior quando tudo é feito despretensiosamente, sem um tema específico e muito menos regularidade para escrever. Então, para nos deixar ainda mais surpreendido, aparecem uns convites que nunca imaginamos que um dia receberíamos.
No mês passado, saiu uma matéria na revista SaraivaConteúdo falando sobre o Caverna do Dragão. O interessante é que eu fui uma das pessoas procuradas para a jornalista fazer a matéria. Já faz um tempo que eu escrevi sobre o desenho Caverna do Dragão. Não sei por que, mas fiquei refletindo sobre esse desenho por mais de uma semana até que eu decidi escrever a respeito em meu blog e libertar aquele pensamento de minha cabeça. Mas não sabia que de lá iria para tão longe.
Fora a entrevista que dei, surgiram outros convites bem diferentes por causa dos meus posts. Mas isso é assunto para outro dia.
Quem quiser ler a matéria inteira do SaraivaConteúdo é só entrar neste link http://www.saraivaconteudo.com.br/Materias/Post/42335




Por dentro da Caverna do Dragão
22. 11. 2011
Filmes e Séries
Por Luma Pereira
Na foto, o personagem Hank do desenho Caverna do Dragão
Andar na montanha russa é sempre uma aventura. Mas, para as personagens do desenho animado Caverna do Dragão, a adrenalina foi ainda maior: o carrinho os levou para um mundo de fantasia – cheio de mágica, monstros, surpresas e perigos.
A história vem do jogo de RPG homônimo (Dungeons & Dragons, mesmo nome da animação em inglês) criado pela TSR, e fez tanto sucesso que virou desenho animado. Produzido pela Marvel, possui 27 episódios e três temporadas, que foram passadas pela primeira vez entre 1983 e 1986.
Durante um passeio ao parque de diversões, os seis jovens, Hank, Eric, Presto, Diana, Sheila e Bobby, andam num brinquedo novo – semelhante a uma montanha russa fantasma – que os leva, por meio de um portal, para um mundo místico. Há também o unicórnio Uni que, no outro mundo, vira uma espécie de mascote da turma.
Cada um dos jovens recebe uma arma e um poder específico para se defender. Hank ganha um arco mágico e Eric, um escudo. Presto torna-se mago e Diana, acrobata. Sheila recebe uma capa de invisibilidade e Bobby, um tacape mágico.
Eles querem encontrar o caminho de casa, objetivo que não se modifica no decorrer da série. “Esse ritual de repetição é importante para que o público saiba o que buscar no desenho”, afirma Caroline Casali, mestre em Ciências da Comunicação e fã do desenho.
Encontram também o Mestre dos Magos, sábio que sempre lhes diz enigmas sobre como voltar para seu mundo. E o Vingador, inimigo que eles têm de enfrentar em sucessivas batalhas. Também se deparam com Tiamat, dragão de cinco cabeças.
A popularidade do Reino
No Brasil, Caverna do Dragão foi transmitido pela Rede Globo nas décadas de 1980 e 1990. Caroline afirma que o desenho ainda é lembrado como o preferido de muitos adultos. E até hoje, de tempos em tempos, é reprisado na televisão.
“A série conquistou as crianças pelos valores que fazia circular, como amizade, bondade, humildade, aventura e recompensas – em uma narrativa cheia de fantasias”, afirma.
Ela diz, ainda, que a expectativa do retorno das crianças à felicidade de suas casas contribuiu para manter um público fiel.
Lênio Bronzeado Mendes, publicitário e fã de Caverna do Dragão, conta que costumava assistir ao desenho e pensar “hoje eles vão conseguir [voltar para seu mundo] e não perco esse episódio por nada”.
“A magia de Caverna do Dragão foi justamente fazer este sujeito nunca conseguir seu objeto de desejo (ir para casa), estimulando o público a acompanhar todos os episódios na esperança do final feliz”, enfatiza Thais Garcia, fã da série, que escolheu o desenho como tema de seu TCC, em jornalismo, pela Universidade Federal de Santa Maria.
Além da amizade, outros valores são passados por meio das narrativas de fantasia e de sonho. Como a sabedoria do mais velho, representada pelo Mestre dos Magos, que, no começo de cada episódio, fornece dicas e ensinamentos aos jovens.
“Tanto para a sociedade dos anos 80 quanto para as crianças de agora, o que o desenho traz de mais valioso são os valores de união para um objetivo em comum e de obediência à sabedoria do mais experiente”, acredita Caroline.
Caroline considera que a principal diferença entre os desenhos de hoje e os antigos está na forma da narrativa. Caverna do Dragão conta a história linearmente, sendo que bem e mal são facilmente identificáveis.
“A série apresenta uma linguagem simples, onde o fantástico e o mágico envolvem uma narrativa com herói e vilão”, completa Thais.
Desenho estilizado do Mestre dos Magos e Uni
Fãs eternos
Eduardo Damone, fã da série, escreveu o livro Caverna do Dragão: O Reino (Above Publicações). Ele ficou intrigado por o desenho não ter tido um episódio final e decidiu escrever sua própria “releitura” da história.
“Criei fatos que achava necessários para preencher lacunas que existiam no desenho; e mudei algumas coisas que eu pensava que poderiam ficar melhores”, explica.
Escreveu também sobre como era a vida dos jovens antes de entrarem no Reino, como foram parar lá e as aventuras que tiveram até o desfecho da série.
“A diferença mais gritante entre o desenho e o livro é Eric. No desenho, ele é franzino, fraquinho e covarde. No livro, ele é um atleta, joga basquete e luta jiu-jitsu, além de ser metido a ‘bonzão’”, conta o autor.
Logo no início do livro, Damone avisa aos leitores para que se esqueçam do desenho e se preparem para uma nova aventura – a história com outra roupagem. “O livro é mais sombrio que o desenho e tem uma visão mais adulta”, completa.
Para Rodrigo Guerini, professor de história e também fã do desenho, a série tem qualidades, mas também defeitos. “A animação é pobre, pelo menos se compararmos com desenhos atuais. Gosto da trilha sonora, o enredo ganha com ela”, explica.
Lênio conta que gostava das aventuras e do fato de as personagens ganharem poderes mágicos – o arco e a capa de invisibilidade eram seus preferidos.
Confessa que se sentia um pouco angustiado quando assistia à série, pois os jovens nunca conseguiam ir para casa. E hoje ele percebe que isso tem a ver com a própria vida real: o desejo de que tudo volte a ser como era antes.
Como Guerini, ele também aprecia a trilha sonora, que acha envolvente. “Um defeito seria o fato de uma personagem ser sempre a boba, outra ser sempre a que sabe de todas as coisas, uma é sempre a dengosa”, diz. Pois não é assim que as pessoas são de fato?
A polêmica do desfecho
Vingador
Outro motivo que faz Caverna do Dragão ter sucesso na atualidade é o mito criado em torno do último episódio da série. Até hoje o público espera que as seis personagens finalmente consigam voltar para casa, pois o último capítulo jamais foi produzido.
Requiem ficou apenas no papel, com roteiro de Michael Reaves. Está escrito que o Vingador é filho do Mestre dos Magos e que, no passado, escolheu seguir os ensinamentos do mal e aprisionar, numa espécie de mausoléu, o que seu pai havia lhe ensinado de bom. Então, a missão dos jovens não era derrotá-lo, e sim redimi-lo.
Há inúmeras especulações sobre o final, até mesmo a lenda aterrorizante de que, na verdade, os jovens estão mortos e aquele mundo é o inferno. Mestre e Vingador são duas faces de um ser demoníaco, e Uni é responsável por impedi-los de retornar para casa. Essa versão, porém, foi desmentida pelos criadores da série.
Com ou sem final, o desenho ainda tem um público fiel: os adultos que o assistiam na década de 1980 – a animação faz parte da infância deles. Thais acredita que a série ainda seja assistida hoje, “mas a atual geração de crianças [que vê as reprises] não dá a mesma atenção ao desenho como a geração das décadas de 80 e 90”.
E os seis jovens continuam tentando retornar para o parque de diversões, para a montanha-russa, para o seu mundo. Quem podia imaginar que uma ida ao parque traria tantas aventuras?

Nenhum comentário:

Postar um comentário