terça-feira, 19 de abril de 2011

Pronto para atirar a primeira pedra?

Há uma famosa história de uma mulher que seria apedrejada. A regra era muito simples: Aquele que não estivesse em pecado, estaria à vontade para lançar a primeira pedra. O enredo continua com todas as pessoas se retirando lentamente, por não se acharem dignas de apedrejar alguém. Eu fiquei imaginando o que aconteceria com essa mulher nos dias de hoje. Creio que ela iria levar muita pedrada, pois hoje é visto como um absurdo uma pessoa se considerar pecadora. Ainda porque não se aceita mais um conceito do que é certo ou do que é errado em nossa sociedade. Cada um é portador de sua própria verdade em busca de ter boas sensações.
Com essa premissa, por exemplo, somos convidados a não recriminar o atirador na escola de Realengo, Rio de Janeiro, pois em sua verdade ele estava totalmente certo. Ou será que então existe um conceito de certo ou errado, mesmo quando as pessoas não queiram aceitar? E quem foi que disse o que seria certo ou errado? Indiferente das respostas, várias pessoas estavam furiosas, na frente da escola, prontas para entrar e espancar até a morte o atirador. Elas só se contiveram quando foram convencidas de que ele já estava morto. Se não estivesse, o primeiro a apanhar seria aquele que disse "Dê o primeiro tapa aquele que não estiver em pecado".
Certamente as situações são totalmente outras. O atirador de Realengo me fez chorar. O que aconteceu naquele dia não tem nome. A nossa sociedade não concebe aquilo ainda (e espero que nunca conceba). Tivemos muitas histórias tristes como a Chacina de Vigário Geral, Chacina da Candelária, entre outros, mas esse teve uma particularidade que perturbou mais. Um homem sozinho matando tanta gente, mesmo sabendo que seria pego. Era como se ele acreditasse que a sua razão de viver era matar aquelas crianças na escola e depois da tarefa cumprida já pudesse partir em paz.
Mas, então, quando falamos dele, parece uma loucura dizer que todos somos pecadores. Pois muitos entendem que pecador é ele, enquanto nós estamos com uma boa média. Para não andarmos tanto em círculo, é bom entender o que significa pecado. A melhor tradução que tive dessa palavra, que me fez entender muita coisa a partir daí, é errar o alvo. A pessoa que peca é a pessoa que erra o alvo.
Assim, uma pessoa que se diz pecadora já ganha alguns pontos por ter pelo menos um alvo. É difícil se dizer pecador, quando não possui alvo nenhum. No entanto, eu não acredito nisso, pois uma pessoa que supostamente não tivesse alvo algum, não teria critério para julgar como bom ou ruim a tragédia de Realengo, por exemplo.
Só que agora voltamos mais uma vez na questão de muitas pessoas não se considerarem pecadores por usarem atiradores como referência. Acontece que quando fazemos isso não nos orgulhamos do que realmente somos, mas apenas nos satisfazemos por aquilo que não somos. Aquelas famosas falas do tipo eu nunca matei e nunca roubei são argumentos de grande satisfação pessoal. Mas quando nos recordamos que somos pessoas criadas a imagem e semelhança de Deus, nosso referencial deixa de ser um psicopata e passa a ser Cristo. E aí, eu vejo que tem muitas coisas que eu preciso melhorar na minha vida, mas não vivo condenado com uma culpa, mas me alegro porque estou no Caminho.
Digamos que supostamente estamos entre atiradores e a pessoa de Cristo. Nem cá e nem lá, mas somente na média. Tudo bem: acontece. O problema seria apenas se nós nos contentássemos em ficar na mediana, o que nos tornaria pessoas medíocres. Mas partindo do pressuposto que existe um Deus que nos ama, Ele não se alegra em nos ver na mediocridade, mas quer nos ajudar a crescer a cada dia. Lembre-se que a morte foi vencida para que nós pudéssemos ter uma vida nova.
Feliz Páscoa a todos.

Um comentário: