quinta-feira, 7 de abril de 2011

O rei está nu

Aliado a mentirosos, hoje o rei desfila nu. E é a gente quem decide se elogia a sua roupa ou se enxerga a sua nudez. Vamos caçoar o rei ou prender o menino que berra por insensatez?
O rei está nu. Esse foi o cântico que me trouxe a mais forte alegria. Sem nenhuma rima, para manter os bons costumes. Simplesmente repetia incessantemente o rei está nu, o rei está nu, o rei está nu.
Como se não fosse o bastante, até certo instante, ele nos humilhava apresentando singela genitália. E assim deveríamos gritar como o rei era superior, e como nós éramos completamente idiotas.
Ele é quem foi enganado, mas para não sair por baixo, saiu orgulhoso e pelado para ser elogiado por um bando de tapado que agora eram obrigados a negar suas próprias convicções. E foi como aconteceu. Não havia uma pessoa que não elogiava a sua roupa. Que roupa? Isso é o de menos, o importante é não aceitar a realidade e, por favor, pare de fazer questionamento. Mas pra mim, que nunca fui nobre, via a nobreza como invisível e até mesmo inexistente.
Eu, como único menino que gritava, expulsava todos os meus demônios. O rei está nu. Foi nesse momento em que todos puderam ver que eu não passava de um louco. Foi nesse dia que me prenderam, pois dizia o que todo mundo via, mas ninguém queria ver.

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