sexta-feira, 29 de abril de 2011

Me jogaram no Facebook

Primeiro eu criei um blog. Alguns amigos falaram que eu precisava ter um e, depois de um ano me pedindo, criei então o blog. Fiquei assim com um e-mail, um orkut, msn, flickr, letras, twitter e um blog, fora uma vida real que eu tinha que dar conta nas horas vagas. Tá bom, né? Acho que não precisava mais entrar em Sonico, Par Perfeito, MySpace, LinkedIn, Hi5, Gaia, Gazzag, AIM Pages, Ameba, Amiguinhos, aSmallWorld, Banco do Planeta, Beltrano, Clubão, Colegas, Colnect, Dandelife, DigiForum, ebaH, Eniversarios, Faceparty, Graduates, iWiW, Kaveris, LANCE ATIVO, Meetlisten, MeuCoracao, MeusParentes, Mixi, MOG, Muvuca, Neatvibe, Netlog, NetQI, Ponto de Encontro, Showop, UOLK, V2V, Vaiqueuvou, Via6, Vox, Xanga, XING, Yahoo! 360°, Zooom.pt entre tantos outros. Que nada. Mal sabia eu, que entrar no tão precioso, diferenciado, acima de todos os outros Facebook, pois era lá que essa tal de "vida real" estava acontecendo. Uma pessoa sem Facebook era como se fosse uma alma penada virtual. E nessa mesma lógica, no orkut eu estou em coma (Só para vocês saberem). Então como entrar em uma rede? Só porque falam que é diferente de tudo?
Só que dessa vez, diferente do blog, eu entrei bem rápido. Ou melhor, me jogaram. Foi só a minha esposa falar "Você precisa entrar". Depois ela disse "Eu queria muito que você estivesse lá". E finalizou com "Eu criei um Facebook para você de presente". E começou a adicionar vários amigos. Era um fakebook. Chique, não? Só personalidades imaginárias, famosas e eu é que tinham até então um perfil fake. Mas antes que se tornasse uma enorme bola de neve eu digitei o meu login e minha senha e assumi como oficial aquele avatar. Estou apanhando pra burro. Ainda não entendi para que serve e muito menos como alguém conseguiu ficar rico criando um negócio daquele, mas lá estou. Não porque entrei, mas porque me jogaram.
Uma coisa boa é que você vê todos os seus amigos lá. Até os amigos que não estão no Facebook você encontra lá, e quem você não encontra, você simplesmente não sente falta. E toda hora aparece notícias do amigo. Aquele que você nem tem mais assunto, que você achou que nunca mais ia se encontrar, aquele que não fazia falta, aquele que você sempre procurava, o de longe, o de perto. Todos estão lá. No mesmo patamar. Eles colocam um vídeo que acharam legal. A rede o mostra falando algo sem nexo, mas você se alegra, pois acha que sabe como ele está conforme ele abre ou fecha o parêntese depois dos dois pontos. Você começa a escrever coisas para que esses amigos também comecem a pensar em você. E de alguma forma acredita que assim está fortalecendo uma grande amizade, e às vezes é isso mesmo. Com um dia de Facebook, eu já tenho mais de 100 amigos. E agora é assim: amigo do meu amigo é meu amigo. Claro que é preciso desconectar muitas vezes para trocar contatos abrangentes por amizades profundas. É preciso ter esse cuidado de não se satisfazer só com o superficial. Ou então, vai deixar que alguma força estranha fique chamando todo o tempo para a Página Inicial para saber de tudo o que está acontecendo. E quando estiver off-line parece, vai parecer que está se desatualizando e perdendo tudo o que acontece de bom na vida. Nesse fim de semana, quando eu nem imaginava entrar nessa rede social, estive conversando com a minha esposa e com meu amigo Marquito, de Piracicaba (me citou no seu blog? Agora é a minha vez), que com a rede social você encontra o seu amigo do trabalho, o seu chefe, a sua mãe, a sua avó, o seu vizinho, o seu amigo de infância, membros de uma comunidade religiosa, seus colegas da maçonaria, seus filhos, seus amigos de futebol e várias outras pessoas para quem você sempre aprendeu a se apresentar de forma diferente, mas, aí, todos eles começam a te ver do mesmo jeito. Mesmo sendo apenas uma parte, que você selecionou bem antes de apresentar, baseado muitas vezes mais com a forma que os outros iriam te ver do que a forma que você realmente é. Eu vou chamar isso de integridade virtual. E acho que é muito bom.
Eu mesmo não gostava de falar nos bares que eu ia tocar que eu trabalhava com publicidade. Assim como não gostava de falar em agência de propaganda que eu tocava. Queria me ver em seções e fazer de conta, ao chegar a um lugar X ou Y que eu era integralmente X ou Y. Acho que para agradar mais, ou para dar a ideia de maior eficiência em X ou Y. Mas isso é irreal. Eu, por exemplo, sendo de humanas falando em X e Y pode parecer estranho para muitas pessoas, mas eu cresci dentro de uma família de engenheiro. Por mais que eu me desenvolva em qualquer ciência humana, o X e o Y estão na minha formação. O currículo de André Abujamra fala que ele é do Candomblé. O que isso tem a ver? Tudo. São suas crenças, seus valores, sua cosmovisão. Eu também me apresento como marido, como cristão e sei lá mais o que, mesmo para falar de slogan e caverna do dragão, pois certamente todas essas coisas interferem, pois eu não deixo de ser marido na ausência da minha esposa, ou deixo de ser músico sem um instrumento, ou até mesmo paro de ser publicitário nas minhas férias. Mas esse post é sobre Facebook e não sobre o ser ou não ser. Ainda mais porque na rede social você tem o direito de não falar tudo. Você não consegue falar tudo e tem coisas que você prefere deixar no anonimato. Não necessariamente algo sério. Fique calmo e lembre-se das suas coisas que você não quer revelar a ninguém. hehehe.
Há um ano eu assisti novamente ao clássico Cantando na Chuva e escrevi um texto falando sobre a internet. Para quem não conhece, esse filme está na 5a colocação da lista da American Film Institute dos 100 melhores filmes de todos os tempos e ficou famoso por ser uma comédia em formato de musical, com belíssimos shows de sapateado, para ilustrar o final do cinema mudo. Com a estreia do filme O Cantor de Jazz, no final de 1927, pela Warner Bros, em que havia falas e cantos sincronizados, praticamente ninguém mais queria assistir a cinema mudo, todos só pensavam na grande novidade. Assim, por outro lado, Cantando na Chuva mostra a dificuldade da suposta Monumental Picture para se adaptar a nova realidade e as brilhantes soluções que encontraram quando assumiram o desafio. Ao mesmo tempo, a narrativa também apresenta as dificuldades que as pessoas enfrentaram ao resistir à novidade. Mesmo sendo um filme produzido em 1952, achei o tema muito atual.
Uma tecnologia transforma costumes de uma sociedade, mas algumas pessoas ainda são resistentes com mudanças, outras, ao invés de dançarem, estão mais patinando na chuva e tem aqueles que estão na chuva para realmente se molharem. Afinal de contas, indiferente do clima de sua preferência, está chovendo. Uma hora parece que a internet está mais para um dilúvio com fortes tempestades e sem previsão de acabar. Outra hora parece aquele dia cujo clima está sempre mudando. E você é desafiado a dançar e cantar em todos os climas. Desafiado em aproveitar a chuva para fazer uma grande tempestade de ideias. Eu queria ficar em casa, debaixo de uma coberta, pedindo uma pizza por telefone só para imaginar o humor do motoqueiro pegando o trânsito (brincadeira), mas arrancaram o meu guarda-chuva, me jogaram no Facebook.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Pronto para atirar a primeira pedra?

Há uma famosa história de uma mulher que seria apedrejada. A regra era muito simples: Aquele que não estivesse em pecado, estaria à vontade para lançar a primeira pedra. O enredo continua com todas as pessoas se retirando lentamente, por não se acharem dignas de apedrejar alguém. Eu fiquei imaginando o que aconteceria com essa mulher nos dias de hoje. Creio que ela iria levar muita pedrada, pois hoje é visto como um absurdo uma pessoa se considerar pecadora. Ainda porque não se aceita mais um conceito do que é certo ou do que é errado em nossa sociedade. Cada um é portador de sua própria verdade em busca de ter boas sensações.
Com essa premissa, por exemplo, somos convidados a não recriminar o atirador na escola de Realengo, Rio de Janeiro, pois em sua verdade ele estava totalmente certo. Ou será que então existe um conceito de certo ou errado, mesmo quando as pessoas não queiram aceitar? E quem foi que disse o que seria certo ou errado? Indiferente das respostas, várias pessoas estavam furiosas, na frente da escola, prontas para entrar e espancar até a morte o atirador. Elas só se contiveram quando foram convencidas de que ele já estava morto. Se não estivesse, o primeiro a apanhar seria aquele que disse "Dê o primeiro tapa aquele que não estiver em pecado".
Certamente as situações são totalmente outras. O atirador de Realengo me fez chorar. O que aconteceu naquele dia não tem nome. A nossa sociedade não concebe aquilo ainda (e espero que nunca conceba). Tivemos muitas histórias tristes como a Chacina de Vigário Geral, Chacina da Candelária, entre outros, mas esse teve uma particularidade que perturbou mais. Um homem sozinho matando tanta gente, mesmo sabendo que seria pego. Era como se ele acreditasse que a sua razão de viver era matar aquelas crianças na escola e depois da tarefa cumprida já pudesse partir em paz.
Mas, então, quando falamos dele, parece uma loucura dizer que todos somos pecadores. Pois muitos entendem que pecador é ele, enquanto nós estamos com uma boa média. Para não andarmos tanto em círculo, é bom entender o que significa pecado. A melhor tradução que tive dessa palavra, que me fez entender muita coisa a partir daí, é errar o alvo. A pessoa que peca é a pessoa que erra o alvo.
Assim, uma pessoa que se diz pecadora já ganha alguns pontos por ter pelo menos um alvo. É difícil se dizer pecador, quando não possui alvo nenhum. No entanto, eu não acredito nisso, pois uma pessoa que supostamente não tivesse alvo algum, não teria critério para julgar como bom ou ruim a tragédia de Realengo, por exemplo.
Só que agora voltamos mais uma vez na questão de muitas pessoas não se considerarem pecadores por usarem atiradores como referência. Acontece que quando fazemos isso não nos orgulhamos do que realmente somos, mas apenas nos satisfazemos por aquilo que não somos. Aquelas famosas falas do tipo eu nunca matei e nunca roubei são argumentos de grande satisfação pessoal. Mas quando nos recordamos que somos pessoas criadas a imagem e semelhança de Deus, nosso referencial deixa de ser um psicopata e passa a ser Cristo. E aí, eu vejo que tem muitas coisas que eu preciso melhorar na minha vida, mas não vivo condenado com uma culpa, mas me alegro porque estou no Caminho.
Digamos que supostamente estamos entre atiradores e a pessoa de Cristo. Nem cá e nem lá, mas somente na média. Tudo bem: acontece. O problema seria apenas se nós nos contentássemos em ficar na mediana, o que nos tornaria pessoas medíocres. Mas partindo do pressuposto que existe um Deus que nos ama, Ele não se alegra em nos ver na mediocridade, mas quer nos ajudar a crescer a cada dia. Lembre-se que a morte foi vencida para que nós pudéssemos ter uma vida nova.
Feliz Páscoa a todos.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

O rei está nu

Aliado a mentirosos, hoje o rei desfila nu. E é a gente quem decide se elogia a sua roupa ou se enxerga a sua nudez. Vamos caçoar o rei ou prender o menino que berra por insensatez?
O rei está nu. Esse foi o cântico que me trouxe a mais forte alegria. Sem nenhuma rima, para manter os bons costumes. Simplesmente repetia incessantemente o rei está nu, o rei está nu, o rei está nu.
Como se não fosse o bastante, até certo instante, ele nos humilhava apresentando singela genitália. E assim deveríamos gritar como o rei era superior, e como nós éramos completamente idiotas.
Ele é quem foi enganado, mas para não sair por baixo, saiu orgulhoso e pelado para ser elogiado por um bando de tapado que agora eram obrigados a negar suas próprias convicções. E foi como aconteceu. Não havia uma pessoa que não elogiava a sua roupa. Que roupa? Isso é o de menos, o importante é não aceitar a realidade e, por favor, pare de fazer questionamento. Mas pra mim, que nunca fui nobre, via a nobreza como invisível e até mesmo inexistente.
Eu, como único menino que gritava, expulsava todos os meus demônios. O rei está nu. Foi nesse momento em que todos puderam ver que eu não passava de um louco. Foi nesse dia que me prenderam, pois dizia o que todo mundo via, mas ninguém queria ver.