terça-feira, 15 de março de 2011

O Consumidor

Todos nós somos consumidores. A gente come algo, veste uma roupa, mora em algum lugar e usa alguma coisa para se cobrir durante a noite. Em momentos relaxantes, ouvimos uma música, assistimos a um filme ou lemos um livro. Assim, em outras palavras, somos consumidores, pois o consumidor é simplesmente aquele que usa algum produto ou serviço para uso próprio. Já o verbo consumir, segundo o dicionário, significa algo como destruir, gastar, abater, enfraquecer, mortificar, entre outras palavras não menos pejorativas. Assim o consumidor é aquele que utiliza algo, que se desfaz ao ser consumido, para benefício próprio.
Mas antes de sairmos julgando os consumidores de coisa ruim ou planejar viver uma vida sem ser consumidor, lembre-se que é por conta deles que a economia gira, gera-se emprego, sustentam-se famílias, acelera o progresso, criam-se vários relacionamentos e assim por diante. Creio que mais importante do que identificar o mau e o bom é saber quem é quem na relação consumidor e consumido.
Muitos imaginam que o consumidor é o cliente. E quando o assunto é o cliente, lembro-me logo da hierarquia empresarial para o atendimento ao cliente apresentado no livro de James C. Hunter, O Monge e O Executivo. Nesta história, mostra claramente a falha de várias empresas em seu funcionamento de liderança que convence os colaboradores de que os clientes são inimigos de guerra. E na vida real vejo que infelizmente não é diferente quando ouço pessoas das mais diversas áreas da economia, em conversas informais, reclamando de clientes.
Da mesma forma, clientes andam insatisfeitos com atendimento, serviços e produtos de várias empresas. Tanto que hoje existem ouvidorias, Procon, código de defesa do consumidor e até o Dia do Consumidor. Que, por sinal, é comemorado hoje, devido famoso discurso de John Kennedy, em 1962, em que dizia que todo consumidor teria direito à segurança, à informação, à escolha e de ser ouvido.
É muito estranho aceitar que alguém foi obrigado a dizer isso. É muito estranho aceitar que, para muitos, seja comum a falha no relacionamento entre clientes e empresas. Mas, para esses, trata-se de uma relação de amor e ódio ou um mal necessário. Pois, afinal de contas, um precisa do outro, e não se trata de uma questão de quem consome e quem é consumido.
Ninguém quer ser consumido, abatido, mortificado, mas todos querem se desenvolver mais e mais a cada negócio realizado. Então, para começar, precisamos entender que não dá mais para consumir pessoas. Vamos aproveitar o dia do consumidor para nos lembrar que queremos consumir apenas produtos e serviços. As empresas oferecem produtos e serviços para o cliente consumir de forma satisfatória e, quando pessoas da empresa não são consumidas, a empresa oferece o que tem de melhor, dedicando-se com excelência cada vez mais. Por outro lado, empresas devem se atentar com seus clientes, também não os consumindo para que eles tenham cada vez mais satisfação e prosperidade, que, por sinal, é de onde vem o progresso.
Assim, desejo que a relação interpessoal entre consumidores e consumidos transforme-se em um relacionamento de amizade, confiança e respeito, entre clientes e empresas, abrindo oportunidade para que todos cresçam juntos e consumam cada vez mais.

2 comentários:

  1. Acredito que não possa haver relação interpessoal entre consumidores e consumidos, pois consumidos não são pessoas.

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  2. Desejo também que seja sempre assim.

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