quinta-feira, 31 de março de 2011

O Casamento

Numa linda noite ensolarada, quando os pássaros cantavam sobre os campos e os homens de negócios acordavam às pressas já encharcados pela chuva, no entanto, não em mais uma noite ensolarada qualquer, mas naquela, havia uma linda igreja. Tão bonita que chegava a ser linda. Dentro dela, havia muitas pessoas, porém, nem todas elas eram lindas, mas ninguém contava isso a ninguém. Aliás, era uma linda celebração de casamento onde, mesmo com tanta gente, apenas os noivos é que iriam se casar.
A igreja estava toda decorada. Na cruz, a imagem de Cristo. Na parede, sequências de quadros contando a via sacra. No altar, candelabros e um cálice. As janelas estavam todas com vitrais coloridos. E, no chão, haviam bancos com pessoas trajadas a rigor, sentadas comportadamente como manda o figurino. E nenhum figurino se comparava ao do padre. MA – RA – VI – LHO - SO!!! Parecia uma camisola. Mas ele era muito respeitado pelas pessoas vestidas de social.
Num determinado momento, um pouco depois da cerimônia começar, mas bem antes dela chegar ao fim, assim sendo, não exatamente no meio da cerimônia, mas quando o noivo, com seu belo vestido masculino, estava no altar com as pernas bambas de tanto esperar, aos sons de músicas que tocavam na ordem de uma atrás da outra, num volume não maior que os cochichos dos convidados. Você viu o corte de cabelo do padre? Eu fiquei com a noiva no dia que ela conheceu o noivo. Seu zíper está aberto. Acho que deixei o feijão no fogo.
Dois homens, então, entraram na igreja e começaram a tocar cornetas numa linda representação Medieval. O estranho é que, mesmo com todos conhecendo a marcha, os músicos insistiram em tocá-la na íntegra. As pessoas estavam em pé olhando a porta principal da igreja fechada, que em instantes iria se abrir. Ou melhor, agora ela já estava aberta e um sorriso nos olhos do noivo iluminava todo o ambiente. A noiva estava linda de tão bonita que ela estava.
Aquela morena de olhos castanhos - que, somente naquele dia, eram verdes - estava com um lindo cabelo loiro. Disse que ia fazer sobrancelhas, porém, estavam menores do que de costume. Mas passavam desapercebidas com toda aquela maquiagem. Que coisa linda! Aquela maquiagem era uma obra de arte. Um clown. E sua roupa não era comparada a nenhum outro vestido de noiva. Todas as peças eram de marca. Calça jeans vermelha da Levis, tênis azul da Nike e uma linda camiseta branca, como todas as noivas tradicionais, da Hering com estampa do Mickey Mouse. E todos assustados se perguntavam:
- Nossa, mas não tem ninguém pra levá-la ao altar?

7 comentários:

  1. Ninguém pra levá-la ao altar? AMEEEEEEEEEEEEEEEEI

    ResponderExcluir
  2. hahahah Parecia uma camisola. Mas ele era muito respeitado pelas pessoas de social hahahha Só neste evento mesmo hahaha
    Interesante como as pessoas vêem o casamento e o que consideram essenciais na cerimônia.
    Abraço

    ResponderExcluir
  3. Cara, muito "loco" esse texto. Faz agente pensar no que é essencial à cerimônia e o que julgamos ser...

    ResponderExcluir
  4. Nossa me arrepiou.........tão bonito que chega A ser lindo.........na verdade linda! de tão bonita
    A DO RE I
    Beijos

    ResponderExcluir
  5. kkkkkkkkkkkkkkk. Saudades... Dirigi isso??? Meu Deus!!!

    ResponderExcluir
  6. Eu tenho o orgulho de ter encenado este texto. Adorei as pequenas atualizações ou apenas a versão original sobrevivente aos cortes terríveis de Andrea Wanger.Grande Abraço.

    ResponderExcluir