quinta-feira, 31 de março de 2011

O Casamento

Numa linda noite ensolarada, quando os pássaros cantavam sobre os campos e os homens de negócios acordavam às pressas já encharcados pela chuva, no entanto, não em mais uma noite ensolarada qualquer, mas naquela, havia uma linda igreja. Tão bonita que chegava a ser linda. Dentro dela, havia muitas pessoas, porém, nem todas elas eram lindas, mas ninguém contava isso a ninguém. Aliás, era uma linda celebração de casamento onde, mesmo com tanta gente, apenas os noivos é que iriam se casar.
A igreja estava toda decorada. Na cruz, a imagem de Cristo. Na parede, sequências de quadros contando a via sacra. No altar, candelabros e um cálice. As janelas estavam todas com vitrais coloridos. E, no chão, haviam bancos com pessoas trajadas a rigor, sentadas comportadamente como manda o figurino. E nenhum figurino se comparava ao do padre. MA – RA – VI – LHO - SO!!! Parecia uma camisola. Mas ele era muito respeitado pelas pessoas vestidas de social.
Num determinado momento, um pouco depois da cerimônia começar, mas bem antes dela chegar ao fim, assim sendo, não exatamente no meio da cerimônia, mas quando o noivo, com seu belo vestido masculino, estava no altar com as pernas bambas de tanto esperar, aos sons de músicas que tocavam na ordem de uma atrás da outra, num volume não maior que os cochichos dos convidados. Você viu o corte de cabelo do padre? Eu fiquei com a noiva no dia que ela conheceu o noivo. Seu zíper está aberto. Acho que deixei o feijão no fogo.
Dois homens, então, entraram na igreja e começaram a tocar cornetas numa linda representação Medieval. O estranho é que, mesmo com todos conhecendo a marcha, os músicos insistiram em tocá-la na íntegra. As pessoas estavam em pé olhando a porta principal da igreja fechada, que em instantes iria se abrir. Ou melhor, agora ela já estava aberta e um sorriso nos olhos do noivo iluminava todo o ambiente. A noiva estava linda de tão bonita que ela estava.
Aquela morena de olhos castanhos - que, somente naquele dia, eram verdes - estava com um lindo cabelo loiro. Disse que ia fazer sobrancelhas, porém, estavam menores do que de costume. Mas passavam desapercebidas com toda aquela maquiagem. Que coisa linda! Aquela maquiagem era uma obra de arte. Um clown. E sua roupa não era comparada a nenhum outro vestido de noiva. Todas as peças eram de marca. Calça jeans vermelha da Levis, tênis azul da Nike e uma linda camiseta branca, como todas as noivas tradicionais, da Hering com estampa do Mickey Mouse. E todos assustados se perguntavam:
- Nossa, mas não tem ninguém pra levá-la ao altar?

terça-feira, 22 de março de 2011

A gente vai tocar


Neste sábado, dia 26, a Banda Maria Bonita vai ser apresentar gratuitamente na Praça do Coco, em Barão Geraldo - Campinas. Conhecida como a praça mais saudável de Barão Geraldo, com um ambiente agradável e familiar, rodeado de plantas e árvores nativas, além de um quiosque especializado em comida saudável, a praça ainda oferece constantemente atrações incríveis. Projeto de cinema, literatura, Aulas de Lian Gong, Passeio Noturno de Bike e, todos sábados, tem a feira de cultura e arte, das 10h às 15h. É aí que a Banda toca, a partir das 13h. Pras crianças ainda tem playground, enfim. Será bem legal.
Esse será o primeiro show aberto ao público que a Banda faz com o baterista Gustavo Gura. O nosso mais novo integrante que tanto enriqueceu a sonoridade do grupo. A Banda Maria Bonita é uma banda de MPB que se destaca pela irreverência, releitura de clássicos e composições próprias, tendo sido premiada em importantes festivais do estado de São Paulo.
Mais informações sobre a praça: http://pracadococo.com.br/

sexta-feira, 18 de março de 2011

Caverna do Dragão

Cuidado. Você pode estar dentro da Caverna do Dragão há muito tempo sem nunca ter se dado conta disso. As formas para se entrar geralmente são as mais peculiares. Você está num parque de diversão, por exemplo, brinca numa montanha russa e pronto. Tudo a sua volta não é mais como antes. Chega a ser assustador, pois você acabou de saiu da sua zona de conforto.
Sem saber direito como agir, alguma coisa lhe diz que, para sobreviver nesse novo mundo, você não pode mais ser você mesmo. Escolha a sua fantasia. Cavaleiro, espião, mago, acrobata, bárbaro, arqueiro. Tudo bem, você não precisa ser excelente no seu arquétipo assumido. Pode falhar numa magia aqui, se acovardar de uma luta ali, pois o importante mesmo é saber que tudo não passa de uma interpretação.
A verdade é que todos não passam de adolescentes americanos num mundo cheio de grandes novidades, oportunidades e sentidos, mas o que realmente impera é o saudosismo. O desejo de tudo ser exatamente como era antes leva as pessoas a andarem sem rumo, lutando uma vez com Tiamat aqui, outra hora com o Vingador ali, depois com o Demônio das Sombras acolá, mas nada diferente de correr atrás do vento.
Para não assumir que está perdido, segue-se alguém com fala bonita, mais palavras sem nexo. Transmite informações que ocultam reais intenções, mas pelo menos tem um bom estereótipo de sábio, parecido com o Mestre Yoda. No entanto, do que vale um mestre que não é claro no que ensina, leva pessoas a andarem em círculo, deixa seus seguidores cada vez mais inconformados e sem esperança e, quando a coisa aperta, some? Um verdadeiro mestre deveria ser capaz de morrer pelos seus, ao invés de ficar com aquela eterna cara de apatia.
Por fim, no meio da caminhada sem rumo, aparece um portal que faz renovar toda a esperança. A vida ganhará um sentido, tudo será perfeito e todos os problemas desaparecerão. Basta passar pelo portal que está à sua frente. Sua vida de simples sobrevivência se encerra para iniciar uma vida em que agora você sonha. Só que, a um passo do portal, você olha pra trás e vê um unicórnio em apuros e volta, permitindo que as coisas desse mundo sem sentido te prendam para sempre.

terça-feira, 15 de março de 2011

O Consumidor

Todos nós somos consumidores. A gente come algo, veste uma roupa, mora em algum lugar e usa alguma coisa para se cobrir durante a noite. Em momentos relaxantes, ouvimos uma música, assistimos a um filme ou lemos um livro. Assim, em outras palavras, somos consumidores, pois o consumidor é simplesmente aquele que usa algum produto ou serviço para uso próprio. Já o verbo consumir, segundo o dicionário, significa algo como destruir, gastar, abater, enfraquecer, mortificar, entre outras palavras não menos pejorativas. Assim o consumidor é aquele que utiliza algo, que se desfaz ao ser consumido, para benefício próprio.
Mas antes de sairmos julgando os consumidores de coisa ruim ou planejar viver uma vida sem ser consumidor, lembre-se que é por conta deles que a economia gira, gera-se emprego, sustentam-se famílias, acelera o progresso, criam-se vários relacionamentos e assim por diante. Creio que mais importante do que identificar o mau e o bom é saber quem é quem na relação consumidor e consumido.
Muitos imaginam que o consumidor é o cliente. E quando o assunto é o cliente, lembro-me logo da hierarquia empresarial para o atendimento ao cliente apresentado no livro de James C. Hunter, O Monge e O Executivo. Nesta história, mostra claramente a falha de várias empresas em seu funcionamento de liderança que convence os colaboradores de que os clientes são inimigos de guerra. E na vida real vejo que infelizmente não é diferente quando ouço pessoas das mais diversas áreas da economia, em conversas informais, reclamando de clientes.
Da mesma forma, clientes andam insatisfeitos com atendimento, serviços e produtos de várias empresas. Tanto que hoje existem ouvidorias, Procon, código de defesa do consumidor e até o Dia do Consumidor. Que, por sinal, é comemorado hoje, devido famoso discurso de John Kennedy, em 1962, em que dizia que todo consumidor teria direito à segurança, à informação, à escolha e de ser ouvido.
É muito estranho aceitar que alguém foi obrigado a dizer isso. É muito estranho aceitar que, para muitos, seja comum a falha no relacionamento entre clientes e empresas. Mas, para esses, trata-se de uma relação de amor e ódio ou um mal necessário. Pois, afinal de contas, um precisa do outro, e não se trata de uma questão de quem consome e quem é consumido.
Ninguém quer ser consumido, abatido, mortificado, mas todos querem se desenvolver mais e mais a cada negócio realizado. Então, para começar, precisamos entender que não dá mais para consumir pessoas. Vamos aproveitar o dia do consumidor para nos lembrar que queremos consumir apenas produtos e serviços. As empresas oferecem produtos e serviços para o cliente consumir de forma satisfatória e, quando pessoas da empresa não são consumidas, a empresa oferece o que tem de melhor, dedicando-se com excelência cada vez mais. Por outro lado, empresas devem se atentar com seus clientes, também não os consumindo para que eles tenham cada vez mais satisfação e prosperidade, que, por sinal, é de onde vem o progresso.
Assim, desejo que a relação interpessoal entre consumidores e consumidos transforme-se em um relacionamento de amizade, confiança e respeito, entre clientes e empresas, abrindo oportunidade para que todos cresçam juntos e consumam cada vez mais.

quinta-feira, 10 de março de 2011

De dentro pra fora II – Os valores

Conforme fui aconselhado pela minha querida amiga Renata, dividi o post da semana passada em 2 para valorizar mais o seu conteúdo. Enfim, aqui está a segunda parte onde comento um pouco sobre 4 valores de Deus que refleti no mês passado, para ter no coração e realizar novas atitudes partindo de dentro pra fora.
Se você não leu o primeiro post do De dentro pra fora, vá lá que a gente te espera... Bem, agora que você já leu, vamos seguir.

1º valor - Vida em abundância (João 1:4)

Fomos convidados para termos vida, e vida em abundância. Isso implica em assumirmos novas atitudes para nós mesmos. Se avaliarmos tudo que nós temos e como lidamos com essas coisas, nos refletirá o respeito que temos à nossa própria vida?
A vida é um presente de Deus e precisa ser cuidada com zelo. Assim como na parábola dos talentos e todos os presentes que recebemos Dele. Mas o que pega é como começar. Onde preciso mudar. Eu ouvi falar dos 7"S" para qualidade de vida e eu achei fantástico para ser uma forma de começar a cuidado de mim.

Sono. Respeitar o limite do meu corpo e me permitir a dormir uma quantidade que seja sadia a minha vida.

Sol. Eu não posso ficar trancado dentro de casa e o escritório. Pelo menos ficar uns 15 minutos diários curtindo uma vitamina D. Totalmente light. Totalmente luz.

Solitude. A cabeça costuma produzir muitos sons. O meio que a gente vive também está sempre nos demandando coisas absurdas. Nada como ficar sozinho, refletindo, em meditação. Eu, que sou ansioso, inquieto e logorréico, abracei essa prática que tem me mostrado benefícios muito rápidos.

Sabbath. Guardar 24h por semana para o descanso e contemplação é revitalizador.

Sexo. Para a alegria de uns e desespero de outros, Deus abençoa o sexo. Faz parte da criação já citado no início da Bíblia. Tanto quando fala para nos multiplicarmos, não se referindo a fazermos conta de vezes, mas também no conceito de se tornarem uma só carne, enfatizando que o sexo unifica o casal. Por meio do sexo, consuma-se o amor de um casal, eles se tornam um e entram no ápice da intimidade. Acho que não preciso explicar tanto este ponto, né?

Suor. Estou caminhando todos os dias. Está muito gostoso.

Sabor. A vida tem que ser assim.

Todos esses S´s praticados com temperança, baseados em princípios fortes e com perseverança, pois nem todos os dias estou animado para caminhar, deixa a vida com mais qualidade e revitaliza tanto a mim, como as pessoas que me cercam.

2º valor - Relacionamento (Salmo 133:1)

O relacionamento é um forte valor de Deus que revela a sua própria personalidade na Trindade. E criados a sua imagem e semelhança, nascemos para viver em comunhão, com o fim no amor.
Aparentemente, eu sou uma pessoa muito bem relacionada. Será que eu precisaria ter novas atitudes nessa questão? Sempre é bom rever a nossa vida, nossos valores e nossas atitudes. Rever a maneira como eu me relaciono com as outras pessoas não seria diferente. Ainda mais quando tenho a leve sensação de perfeição. Aí a atenção deve ser redobrada.
Uma coisa que eu decidi é não confundir a imensidão de contatos, que sempre me seduz, com relacionamentos sinceros e profundos. Creio que a palavra chave é profundo. O superficial nos garante status em nossas redes sociais, mas que o profundo nos socorre em um dia angustiante em que precisamos nos abrir com alguém, chorar e receber um aconchegante abraço.
Para isso, é preciso parar de se relacionar com números e se relacionar com pessoas. Acho que a nova atitude que muitos deveriam fazer se quisessem ter esse valor no coração seria desconectar um pouco das redes sociais e investir um pouco mais na relação interpessoal no trabalho, na escola, vizinhança ou até mesmo dentro da própria casa.
Em alguns casos, deve-se até abrir mão do orgulho, reconsiderar algumas mancadas, exercer perdão e restaurar amizades profundas que por coisa boba acabou. Alguns acreditam que o tempo é o melhor remédio, mas a minha concepção do chronos é de um ser devastador, e não restaurador.
Bons relacionamentos requerem kairos e atitudes de dentro pra fora.

3º valor - O amor ao próximo (Lucas 10:27)

Eu me lembro de uma história que aconteceu quando namorava a minha esposa. Ela estava de mudança e decidi ajudá-la recolhendo caixas de papelão. Nenhum de nós tinha carro e fui caminhando pela cidade, de supermercado a supermercado, em busca das caixas. Esse pode ser visto como um grande exemplo de amor ao próximo visto todo o meu trabalho de carregar aquele peso. Que desconforto! O pior nem era segurar; mas, sim, andar com tudo aquilo sem deixar que nada caísse no chão.
Por mais complicado que fosse, naquele mesmo dia, ganhei vários beijos e abraços e carinhos sem ter fim como recompensa para essa minha prova de amor. Hoje somos casados e certamente ganhei pontos extras por essa ação.
Vamos ser sinceros. É cômodo demais e até periga soar falso usar esse exemplo para amor ao próximo. Mas o que me chamou atenção naquele dia foi outra pessoa. Uma mulher que aparentava ter os seus 40 anos, bem vestida, maquiada, dentro de um carro importado que até hoje eu não sei o nome. No banco de trás do seu carro tinha um menino, provavelmente o seu filho. E eu andando na rua, com roupa velha para sujar, carregando um monte de caixa de papelão. Ela parou do meu lado, abriu a janela e me disse. "Por favor, deixe-me te ajudar". Eu não esqueço até hoje daquele "por favor". Soou muito estranho. Parecia que eu estava numa cena de um teatro vendo alguém roubando as minhas falas e, de uma maneira inexplicável, eu estava muito agradecido por isso.
Ela abriu o porta-malas do carro, eu coloquei todo o papelão em seu carro, sentei do seu lado e fomos até a casa da minha namorada. Depois eu ainda percebi que ela tinha saído totalmente do seu caminho para me ajudar. E a melhor parte foi que, quando eu saí do seu carro lhe agradecendo, ela respondeu com um sorriso e um "De nada". Ela parecia ser tão generosa que eu jurava que ela iria dizer "Passe adiante". Mas nem isso ela me cobrou. Eu não sei o nome dela, em quem ela votou, qual é a sua crença, os seus valores, mas sei que ela me ajudou quando eu precisava. Ela foi o meu próximo.

Nem todo mundo concorda com esses valores. Friedrich Nietzsche é um bom exemplo por ser contra a compaixão e a piedade, sendo, para ele, um sinal de fraqueza, contrário a exaltação da vida, contrário aos valores vitais.

"Minha experiência dá o direito de desconfiar em princípio dos impulsos chamado "desinteressados", e de todo o "amor ao próximo", sempre disposto à palavra e ao ato. Eu o vejo em si como fraqueza, como caso especial da incapacidade de resistência aos estímulos - a compaixão passa por virtude apenas entre os decadentes [...] compaixão cheira instanteneamente a plebe [...] Coloco a superação da compaixão entre as virtudes nobres". (Nietzsche)

Esse pensamento que parece ser revolucionário já vem das antigas escolas filosóficas gregas e acaba sendo aceita, mesmo que não assumida, por muita gente. Aliás, quem fala sobre compaixão nos nossos dias de maneira bastante entusiasmada?

"Esta estranha ideia de ‘ser capaz de resistir aos estímulos da compaixão’ que Nietzsche exalta como a virtude mais nobre, não é nada senão uma versão radicalmente ousada daquilo que os antigos gregos chamavam de apatheia. Nas escolas filosóficas gregas, principalmente a dos estóicos, a apatheia (de onde vem a palavra apatia) era um alvo a ser alcançado. Somente através da apatia e da indiferença, ou da total ausência de perturbação, que o indivíduo habilidosamente adestrado, conseguia chegar a um estado de ataraxia (tranquilidade) ou impertubabilidade. Ou seja, a apatheia era uma escolha para a felicidade, e a felicidade se resumia naquele momento em que a alma se torna insensível à dor e a qualquer sofrimento." (Daniel Grubba)

Nem mesmo na maioria das igrejas se fala mais isso. A mensagem mais pregada é prosperidade. Ou então, fica num papo sobre amor que nunca cai para a atitude.
O próximo não pode se limitar a um círculo fechado de relacionamento que estabelecemos e a nossa ajuda deve partir da necessidade do próximo. Do que vale dar um prato de comida a quem precisa de uma carona?
Que bom que a moça da carona era diferente a tudo isso.

4º valor - O Reino (Mateus 6:10)

Não. Eu não estou falando de viver somente o amanhã, na expectativa da vida que terei após os meus olhos se fecharem para a história e abrirem para a eternidade, me esquecendo totalmente de viver o hoje. Se cristãos dizem que desejam tanto o Reino sem injustiça, sem mentira, sem orgulho, sem inveja, por que não mostrar esse desejo no dia a dia e viver o aqui e agora com justiça, verdade, humildade?
Eu disse que de todos os temas eu falaria um pouco, e esse, que tem muito a ser falado, eu deixo só a introdução.
Mas sempre quando tem esse tema eu me lembro de um texto e de uma música e com eles eu termino esse post.

"Vocês são o sal da terra. Mas se o sal perder o seu sabor, como restaurá-lo?" (Mateus 5:13a)

Esse texto é falado por Jesus no início do sermão do monte, em que ele apresenta bem os valores do Reino. Abaixo é uma música de Beto Guedes em que ele exemplifica com muito esmero o que é ser Sal da Terra e assim viver os valores do Reino.

O Sal da Terra
de Beto Guedes

Anda, quero te dizer nehum segredo
Falo nesse chão da nossa casa
Vem que tá na hora de arrumar
Tempo, quero viver mais duzentos anos
Quero não ferir meu semelhante
Nem por isso quero me ferir
Vamos precisar de todo mundo
Pra banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova
Vamos precisar de muito amor
A felicidade mora ao lado
E quem não é tolo pode ver
A paz na Terra, amor
O pé na terra
A paz na Terra, amor
O sal da Terra
És o mais bonito dos planetas
Tão te maltratando por dinheiro
Tu que és a nave nossa irmã
Canta, leva tua vida em harmonia
E nos alimenta com teus frutos
Tu que és do homem a maçã
Vamos precisar de todo mundo
Um mais um é sempre mais que dois
Pra melhor juntar as nossas forças
É só repartir melhor o pão
Recriar o paraíso agora
Para merecer quem vem depois
Deixa nascer o amor
Deixa fluir o amor
Deixa crescer o amor
Deixa viver o amor

sexta-feira, 4 de março de 2011

De dentro pra fora

Muita gente hoje em dia tem o seu dia a dia totalmente ocupado. Esse corre-corre é tão grande que quando eles não têm nada para fazer costumam se ocupar com a preocupação de não ter nada para fazer. As demandas que surgem são das mais diversas naturezas. Família, amizade, trabalho, clube, escola, igreja. E em todos os compromissos é preciso se dedicar 100%. Quem aguenta?
Mas, quando a gente analisa as demandas, percebe que essas loucuras que a gente permite detonar com nossas vidas vêm de fora para dentro. A gente vai fazendo absurdos com as nossas vidas que nunca foram ao menos desejados e a gente nem sabe porque foram tomadas tais atitudes. Mas quais são as repostas que ouvimos sobre suas prioridades? Existem? E de onde vieram essas prioridades? De fora para dentro ou de dentro para fora?
Lembro-me de um livro que minha amiga, Regina Pércio, me deu falando sobre a arte de dizer não. Essa é uma lição que todos deveriam aprender, pois não saber falar essa palavrinha nos mete, muitas vezes, em situações totalmente desagradáveis, atendendo as demandas de fora. Quanto mais fortalecido o lado de dentro, mais fácil reconhecemos quando dizer sim e quando dizer não ao lado de fora, sem nos agredirmos. E, principalmente, caminhamos em resposta às demandas que condizem mais com o nosso próprio ser. Mas como fortalecer a parte de dentro? Quem é esse cara da parte de dentro?
Eu decidi buscar me fortalecer com os valores de Deus. Primeiro porque a sua palavra dá fim ao caos. Depois porque fomos criados à sua imagem e semelhança. Seu valores são incríveis e conforme você vai conhecendo e compreendendo, mais você vai desejando isso para a sua vida.
Não. Eu não estou falando em seguir regrinhas sem sentido ou levar uma vida abaixo de uma tensão desumana do legalismo. Também não estou falando em se dedicar integralmente a serviços e encontros demandados por uma igreja ou viver totalmente focado a uma religão. Aliás, eu não gosto dessa dicotomia entre sacro e profano.
Acredito que muitos amigos também devam estar torcendo o nariz, pois acreditam que cada um de nós é que deve criar os seus próprios valores e que Deus não tem nada a ver com isso. Mas será que os seus valores são melhores dos que de Deus? Eu posso afirmar com certeza que os meus valores não são tão louváveis assim. É algo meio hedonista, ambicioso, vaidoso. Não acho tão necessário me estender nesse ponto, pois acredito que se todos fizerem uma avaliação sincera de si mesmo saberão do que estou falando. Por mais que busquemos em nossas próprias experiências de vida ou em grandes pensadores, não construiremos valores maiores do que a de Deus. Pra que tentar reinventar a roda? Duas questões que acho interessante citar são as seguintes. Seus valores não vieram do nada. Então, quem você permite nortear os seus valores? Ou você acha que a crença de que você precisa ser milionário para resolver a maioria dos problemas, que você precisa ser uma pessoa boazinha para tudo dar certo na sua vida ou que cada um tem as suas próprias verdades, por exemplo, surgiram unicamente de você? O segundo ponto é que a felicidade foi tida como o grande alvo de muitas pessoas, e ainda naquele intuito do custe o que custar, pois se acredita que os fins justificam os meios. Quando encaramos as coisas assim, os valores de Deus parecem que chegam só para atrapalhar os nosso planos de ser feliz. Mas para acreditarmos mesmo nisso, contabilize as pessoas que você conhece pessoalmente dos quais você pode constatar que realmente são felizes por justamente andarem na direção oposta dos valores de Deus. Não faz sentido. É paradoxal. Diante desta constatação, algumas pessoas se permitem a fortalecer a imagem que eles têm de um deus tirano e sarcástico que deseja o sofrimento de todos por puro prazer de mostrar quem é que realmente manda. Só que um ponto que a maioria esquece é que o fim do homem não é a felicidade; mas o amor.
O título deste post é De Dentro Pra Fora porque muitas vezes nós acreditamos que a gente precisa tomar novas atitudes, mas, quando isso não está certo e resolvido no coração, é em vão. Em pouco tempo, tudo volta como era antes. A mudança precisa ser primeiro interna. Eu, que estou convencido a respeito da importância em buscar os valores de Deus para a minha vida, preciso estudá-los, avaliá-los, compreendê-los e aceitá-los no coração. Quando alguém diz realmente ter certos valores, isso tem que estar refletido, como diz o reverendo Ricardo Agreste, em sua agenda. Várias vezes a gente vê pessoas com discursos maravilhosos sobre valores, mas os seus compromissos não condizem com suas palavras. Afirmam ter revisto seus valores, mas não se replanejaram para viver conforme esses valores. Permitindo, assim, novamente que as demandas externas se sobressaiam. Mas não é só isso, continua Agreste, além de refletir na agenda, isso deve ser projetado nas atitudes. Para realmente haver uma mudança é preciso que haja atitude. Primeiro a reflexão que nos fará tomar decisões e essas decisões devem nos levar a ações. Atitudes de dentro pra fora.
Quando somos levados pelas demandas externas, ou até mesmo quando acreditamos estar sendo guiados pelos nossos próprios valores (sendo nós egoístas, hedonistas, vaidosos, tralalá, patati e patatá), a gente acaba virando escravo de toda essa situação. Já as atitudes de dentro pra fora nos convidam para a liberdade.
Nos próximos posts gostaria de falar um pouquinho de 4 valores de Deus que meditei bastante no mês de fevereiro para exemplificar.