quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Romana 15 anos



Neste ano a Confeitaria Romana (uma conceituada panificadora, rosticeria e confeitaria de Campinas) completou 15 anos e fez a sua comemoração com uma bela campanha para o povo da cidade celebrar também a data, recordando deliciosos momentos proporcionados pela Romana.
A campanha “15 anos recheados de momentos deliciosos” foi criada pela agência que eu trabalho, EE2 Propaganda. Lembro-me até hoje do dia que fui almoçar lá e fiquei olhando por um bom momento para o seu logo: Romana, fondata 1996. Espera aí, pensei, a Romana vai completar 15 anos daqui a pouco. Voltei do almoço já falando sobre importante evento e todos do trabalho se moveram para criar a tão bela campanha.
Criamos um selo comemorativo, fizemos um jornalzinho contando a história, incluindo depoimento de clientes e colaboradores. Trabalhamos com o PDV, fizemos anúncios especiais voltado para famílias, casais, business, público light e para a turma que é apaixonada pelo fim de noite.
Essa foi uma campanha que eu gostei muito de participar. No texto mesmo, eu quis manter o mesmo conceito que já venho desenvolvendo desde o começo do ano de ambiente aconchegante para passar deliciosos momentos.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Matéria sobre o Caverna do Dragão

A gente não faz ideia do público que é alcançado com um blog. Às vezes, parece que estamos escrevendo só para nós mesmo, mas depois aparece um e outro comentando sobre isso ou aquilo que escrevemos, desconstruindo assim todo o nosso conceito do blog. O espanto é ainda maior quando tudo é feito despretensiosamente, sem um tema específico e muito menos regularidade para escrever. Então, para nos deixar ainda mais surpreendido, aparecem uns convites que nunca imaginamos que um dia receberíamos.
No mês passado, saiu uma matéria na revista SaraivaConteúdo falando sobre o Caverna do Dragão. O interessante é que eu fui uma das pessoas procuradas para a jornalista fazer a matéria. Já faz um tempo que eu escrevi sobre o desenho Caverna do Dragão. Não sei por que, mas fiquei refletindo sobre esse desenho por mais de uma semana até que eu decidi escrever a respeito em meu blog e libertar aquele pensamento de minha cabeça. Mas não sabia que de lá iria para tão longe.
Fora a entrevista que dei, surgiram outros convites bem diferentes por causa dos meus posts. Mas isso é assunto para outro dia.
Quem quiser ler a matéria inteira do SaraivaConteúdo é só entrar neste link http://www.saraivaconteudo.com.br/Materias/Post/42335




Por dentro da Caverna do Dragão
22. 11. 2011
Filmes e Séries
Por Luma Pereira
Na foto, o personagem Hank do desenho Caverna do Dragão
Andar na montanha russa é sempre uma aventura. Mas, para as personagens do desenho animado Caverna do Dragão, a adrenalina foi ainda maior: o carrinho os levou para um mundo de fantasia – cheio de mágica, monstros, surpresas e perigos.
A história vem do jogo de RPG homônimo (Dungeons & Dragons, mesmo nome da animação em inglês) criado pela TSR, e fez tanto sucesso que virou desenho animado. Produzido pela Marvel, possui 27 episódios e três temporadas, que foram passadas pela primeira vez entre 1983 e 1986.
Durante um passeio ao parque de diversões, os seis jovens, Hank, Eric, Presto, Diana, Sheila e Bobby, andam num brinquedo novo – semelhante a uma montanha russa fantasma – que os leva, por meio de um portal, para um mundo místico. Há também o unicórnio Uni que, no outro mundo, vira uma espécie de mascote da turma.
Cada um dos jovens recebe uma arma e um poder específico para se defender. Hank ganha um arco mágico e Eric, um escudo. Presto torna-se mago e Diana, acrobata. Sheila recebe uma capa de invisibilidade e Bobby, um tacape mágico.
Eles querem encontrar o caminho de casa, objetivo que não se modifica no decorrer da série. “Esse ritual de repetição é importante para que o público saiba o que buscar no desenho”, afirma Caroline Casali, mestre em Ciências da Comunicação e fã do desenho.
Encontram também o Mestre dos Magos, sábio que sempre lhes diz enigmas sobre como voltar para seu mundo. E o Vingador, inimigo que eles têm de enfrentar em sucessivas batalhas. Também se deparam com Tiamat, dragão de cinco cabeças.
A popularidade do Reino
No Brasil, Caverna do Dragão foi transmitido pela Rede Globo nas décadas de 1980 e 1990. Caroline afirma que o desenho ainda é lembrado como o preferido de muitos adultos. E até hoje, de tempos em tempos, é reprisado na televisão.
“A série conquistou as crianças pelos valores que fazia circular, como amizade, bondade, humildade, aventura e recompensas – em uma narrativa cheia de fantasias”, afirma.
Ela diz, ainda, que a expectativa do retorno das crianças à felicidade de suas casas contribuiu para manter um público fiel.
Lênio Bronzeado Mendes, publicitário e fã de Caverna do Dragão, conta que costumava assistir ao desenho e pensar “hoje eles vão conseguir [voltar para seu mundo] e não perco esse episódio por nada”.
“A magia de Caverna do Dragão foi justamente fazer este sujeito nunca conseguir seu objeto de desejo (ir para casa), estimulando o público a acompanhar todos os episódios na esperança do final feliz”, enfatiza Thais Garcia, fã da série, que escolheu o desenho como tema de seu TCC, em jornalismo, pela Universidade Federal de Santa Maria.
Além da amizade, outros valores são passados por meio das narrativas de fantasia e de sonho. Como a sabedoria do mais velho, representada pelo Mestre dos Magos, que, no começo de cada episódio, fornece dicas e ensinamentos aos jovens.
“Tanto para a sociedade dos anos 80 quanto para as crianças de agora, o que o desenho traz de mais valioso são os valores de união para um objetivo em comum e de obediência à sabedoria do mais experiente”, acredita Caroline.
Caroline considera que a principal diferença entre os desenhos de hoje e os antigos está na forma da narrativa. Caverna do Dragão conta a história linearmente, sendo que bem e mal são facilmente identificáveis.
“A série apresenta uma linguagem simples, onde o fantástico e o mágico envolvem uma narrativa com herói e vilão”, completa Thais.
Desenho estilizado do Mestre dos Magos e Uni
Fãs eternos
Eduardo Damone, fã da série, escreveu o livro Caverna do Dragão: O Reino (Above Publicações). Ele ficou intrigado por o desenho não ter tido um episódio final e decidiu escrever sua própria “releitura” da história.
“Criei fatos que achava necessários para preencher lacunas que existiam no desenho; e mudei algumas coisas que eu pensava que poderiam ficar melhores”, explica.
Escreveu também sobre como era a vida dos jovens antes de entrarem no Reino, como foram parar lá e as aventuras que tiveram até o desfecho da série.
“A diferença mais gritante entre o desenho e o livro é Eric. No desenho, ele é franzino, fraquinho e covarde. No livro, ele é um atleta, joga basquete e luta jiu-jitsu, além de ser metido a ‘bonzão’”, conta o autor.
Logo no início do livro, Damone avisa aos leitores para que se esqueçam do desenho e se preparem para uma nova aventura – a história com outra roupagem. “O livro é mais sombrio que o desenho e tem uma visão mais adulta”, completa.
Para Rodrigo Guerini, professor de história e também fã do desenho, a série tem qualidades, mas também defeitos. “A animação é pobre, pelo menos se compararmos com desenhos atuais. Gosto da trilha sonora, o enredo ganha com ela”, explica.
Lênio conta que gostava das aventuras e do fato de as personagens ganharem poderes mágicos – o arco e a capa de invisibilidade eram seus preferidos.
Confessa que se sentia um pouco angustiado quando assistia à série, pois os jovens nunca conseguiam ir para casa. E hoje ele percebe que isso tem a ver com a própria vida real: o desejo de que tudo volte a ser como era antes.
Como Guerini, ele também aprecia a trilha sonora, que acha envolvente. “Um defeito seria o fato de uma personagem ser sempre a boba, outra ser sempre a que sabe de todas as coisas, uma é sempre a dengosa”, diz. Pois não é assim que as pessoas são de fato?
A polêmica do desfecho
Vingador
Outro motivo que faz Caverna do Dragão ter sucesso na atualidade é o mito criado em torno do último episódio da série. Até hoje o público espera que as seis personagens finalmente consigam voltar para casa, pois o último capítulo jamais foi produzido.
Requiem ficou apenas no papel, com roteiro de Michael Reaves. Está escrito que o Vingador é filho do Mestre dos Magos e que, no passado, escolheu seguir os ensinamentos do mal e aprisionar, numa espécie de mausoléu, o que seu pai havia lhe ensinado de bom. Então, a missão dos jovens não era derrotá-lo, e sim redimi-lo.
Há inúmeras especulações sobre o final, até mesmo a lenda aterrorizante de que, na verdade, os jovens estão mortos e aquele mundo é o inferno. Mestre e Vingador são duas faces de um ser demoníaco, e Uni é responsável por impedi-los de retornar para casa. Essa versão, porém, foi desmentida pelos criadores da série.
Com ou sem final, o desenho ainda tem um público fiel: os adultos que o assistiam na década de 1980 – a animação faz parte da infância deles. Thais acredita que a série ainda seja assistida hoje, “mas a atual geração de crianças [que vê as reprises] não dá a mesma atenção ao desenho como a geração das décadas de 80 e 90”.
E os seis jovens continuam tentando retornar para o parque de diversões, para a montanha-russa, para o seu mundo. Quem podia imaginar que uma ida ao parque traria tantas aventuras?

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

O problema de ir estar gerundiando

Com suposta origem em traduções literais do inglês de expressões empregando o futuro contínuo, o gerundismo espalhou-se feito gripe em menos de uma década e virou uma febre nacional. Hoje está presente nas conversas coloquiais, nas reuniões de empresas, ao telefone, nas conversas formais, nos e-mails corporativos e até nas salas de aula. É uma linguagem democrática sem distinção de classe, credo, raça, profissão, sexo, idade ou formação acadêmica. Há pouco tempo, o gerundismo não era acusado nem na correção ortográfica do Word (Como se isso significasse alguma coisa). O que mais me chama a atenção não é a sua tamanha popularidade, nem a sonoridade desse vício, mas o próprio significado da frase que é mudado ao escolher tal caminho.
Gerundismo é um vício de linguagem que ocorre por abuso de verbos no gerúndio empregando-os incorretamente. Quando digo, por exemplo, “Estou escrevendo” eu não quero simplesmente dizer que eu escrevo, mas quero enfatizar que durante um período eu pratico a ação. As perguntas “O que você faz?” e “O que você está fazendo?” são bem diferentes, pois na primeira questão, mesmo feita no presente, posso responder sobre algo que faço todos os dias, mas que não obrigatoriamente esteja sendo feito no momento da resposta. Já na segunda questão, sou obrigado a dizer o que faço exatamente agora. Assim, dizer “amanhã estarei trabalhando até as 18h” estaria correto (se não fosse sábado), pois, mesmo utilizando o gerúndio para expressar ação futura, a ênfase da oração não está na ação, mas em seu período que é duradouro e contínuo. (Mesmo assim, recomendo “amanhã vou trabalhar até as 18h” para evitar confusões).
Esse é o ponto em que vejo o maior problema do gerundismo. Quando digo “Vou estar trabalhando”, a ênfase da minha fala não está na ação. Então, onde está? Quando alguém responde a uma solicitação com um ”Eu vou fazer”, demonstra-se um grande compromisso com a ação, transmitindo assim muita segurança que a ação será feita. Enquanto a resposta “Eu vou estar fazendo” mostra insegurança do autor da frase e que sua maior preocupação não estar em fazer, mas em dar uma resposta que agrade. Ninguém fala, por exemplo, “vamos estar tomando uma cerveja”, pois quando alguém convida, está muito comprometido com a ação, no entanto, quando alguém fala que não vai, é provável que ela escute “vamos estar pensando em você enquanto estivermos no bar” – mais uma vez a ênfase não está no “pensar em você”, mas no “estar no bar” que se refere ao período contínuo.
Assim, vejo que o cuidado que devemos ter com a língua não é simplesmente por uma formalidade do que se convencionou certo ou errado, ou se é ou não é sonoramente agradável, mas principalmente se passamos corretamente o que queremos dizer. O maior problema não está no gerundismo, mas está em vontade de se comprometer com ações e transmitir confiança.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Poema cinematográfico




Semana passada eu escrevi um poema e meu colega, Igor Martins, já fez, para exportação, uma versão cinematográfica do meu texto, com a divina dança de sua namorada, Thais Goes. Só no primeiro dia mais de 500 pessoas já assistiram.
O poema Viagem no Tudo e no Nada foi baseado no livro de Eclesiastes em que provavelmente Salomão, tendo mil mulheres, muitas riquezas e sendo um rei que era constantemente consultado por outros reis devido a sua grande sabedoria, diz que tudo o que fez debaixo do Sol foi correr atrás do vento. Em outras palavras, o autor desse livro possuiu as três divindades mais cobiçadas no nosso tempo: Sexo, Dinheiro e Poder; e mesmo assim sentia que nada lhe trazia algo que o realizasse. Já se sentiu assim?


Viagem no tudo e no nada

Tudo o que foi desejo, eu tive
Tudo o que foi sonho, eu vivi
Tudo o que foi ideal, eu fui
O sentimento ainda era falta
O necessário, eu não sabia

O que foi conquista
Agora era perdido
A dor era insuportável
E os suportes sem força

A vida dava voltas

Nada do que foi desejo, eu tinha
Nada do que foi sonho, eu vivia
Nada do que foi ideal, eu era
O sentimento era busca
O necessário, eu ainda não sabia

Viajei no tudo e no nada
E vi apenas uma grande vaidade
A dor já era fruto de meus atos
Quando queria experimentar felicidade

A volta me dá vida

É necessário Luz para saber
Tudo o que foi feito
foi correr atrás do vento
É necessário Cruz para se render
Nada mais precisa ser feito
Tudo já foi pago

sábado, 3 de setembro de 2011

Uma existência com vida



Semana passada eu participei da criação do vídeo Ossos Secos, dirigido por Igor Martins, e já no primeiro dia de veiculação na internet, esse trabalho foi visualizado em aproximadamente 30 países. O desafio era se basear em um texto das Escrituras, em que um homem era levado a um lugar cheio de ossada que, mesmo sendo um cenário que é facilmente visto como fúnebre, se tornou em um campo cheio de vida.
Foi bem curioso assimilar osso com vida, pois por mais que eles sustentam o nosso corpo, imagens como do inimigo do He-Man, da bandeira do pirata, do símbolo de perigo fatal (em potes de veneno e fios de alta tensão) e até de ossadas no chão sempre nos remetem a algo bem diferente de vida. Realmente, o osso isoladamente não tem vida em si. Então o que teria vida em si? Osso coberto de pele? Coração? Cérebro, fazendo uma releitura de Descartes em seu famoso "Penso, logo existo"? Existir é viver? O cérebro em funcionamento junto com toda equipe do sistema nervoso coordenando o trabalho de todos os órgãos faria um ser ter vida. Mas a vida é mais do que isso.
Gostei do resultado do vídeo, pois ele nos lembra que a vida pode ser vivida em sua plenitude, em abundância, com qualidade e fala de forma simples, pois é uma coisa de fácil acesso. É um presente de Alguém que sempre dá com alegria.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Ouça

Foi em 1999 que eu me apresentei pela primeira vez com voz e violão, sem ser em festival. Era um evento de inauguração de um espaço cultural. Ainda no mesmo ano, fui convidado a tocar em um espetáculo de teatro da cia. Abapuru. Posteriormente comecei a tocar também nos bares de Campinas e região tanto com voz e violão como também com a Banda Maria Bonita. Além da interpretação, fiz diversos trabalhos como compositor, criando para eventos, peças de teatro, espetáculos de dança, entre outros.
O estilo que eu assumo é a MPB, transitando entre clássicos e pops, lentos e animados. Tudo conforme o ambiente.
A conversa está muito boa, mas acho que o melhor mesmo é tocar, não?
A Banda Maria Bonita dando palhinha em festival.

E a gente tocando uma de minhas composições. Essa música nos levou à premiação.

E para terminar, o clip da música acima feito pela minha esposa.

Em breve eu coloco mais vídeos.
Aguardo comentários.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Cantando na chuva


Depois de um gostoso período de férias, volto ao blog ciente de que "navegar é preciso". Confesso que depois de ter ficado dias sem TV, sem internet e sem telefone comecei a suspeitar de que talvez haja a possibilidade de ter existido vida antes dessas invenções todas e de que ainda há o risco dessa vida até ter sido boa para se viver. Não vou curtir o saudosismo de algo não vivido. As férias acabou há mais de um mês e já está mais do que na hora de eu voltar.
Eu sempre defendo a ideia de que não podemos engolir qualquer coisa que surgi por aí, mas isso não quer dizer que temos que criar resistência a tudo, afinal de contas, não é de hoje que o mundo sofre mudanças, enquanto nós nos viramos nos trinta para acompanhar. Estive me lembrando, por exemplo, do clássico Cantando na Chuva. Para quem não conhece, esse filme está na 5ª colocação da lista da American Film Institute dos 100 melhores filmes de todos os tempos e ficou famoso por ser uma comédia em formato de musical, com belíssimos shows de sapateado, para ilustrar o final do cinema mudo. Com a estreia do filme O Cantor de Jazz, no final de 1927, pela Warner Bros, em que havia falas e cantos sincronizados, praticamente ninguém mais queria assistir a cinema mudo, todos só pensavam na grande novidade. Assim, por outro lado, Cantando na Chuva mostra a dificuldade da suposta Monumental Picture para se adaptar a nova realidade e as brilhantes soluções que encontraram quando assumiram o desafio. Ao mesmo tempo, a narrativa também apresenta as dificuldades que as pessoas enfrentaram ao resistir à novidade. Mesmo sendo um filme produzido em 1952, achei o tema muito atual. Pessoas resistentes a mudanças e que, ao invés de dançarem, estão apenas patinando na chuva.
Se estamos na chuva, vamos nos molhar. Enquanto se prendiam ao cinema mudo, hoje, só na TV, a Globo já assumiu o XDCAM como formato oficial e não vai demorar muito para popularizar o 3D.
Mas agora não dá para falar em novidade e não mencionar a Internet e suas constantes novidades. A diferença da Internet e da transição do cinema mudo para o falado é que na época dessa transição havia poucas referências, estava todo mundo aprendendo no meio de seus erros e acertos. Pensando bem, não mudou muita coisa não. Apesar das referências e dicas nos livros e em sites competentes, ainda somos pressionados a nos arriscar baseados em nossas próprias experiências. Pois tudo muda muito rápido. Enquanto algumas pessoas fazem um site só por fazer, outras estão criando comunidades no orkut com a maior das boas intenções e ainda outras já estão descobrindo formas mais inteligentes para usar o twitter que, por sua vez, já é acessado pelo facebook.
Pois é. Eu realmente precisava voltar ao meu blog. Depois de um gostoso período de férias, volto ao blog ciente de que "navegar é preciso". A Internet parece aquele dia cujo clima está sempre mudando. Não importa qual é o clima da sua preferência. Aliás, esse não é o seu clima, mas o clima da sua rede de relacionamento. Então, seja como estiver o tempo, dance e cante e, quando começar a chover, aproveite e faça uma grande tempestade de ideias.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Analisando uma obra de arte.

Eu sempre gostei muito de arte. Gosto de ficar olhando um quadro, por exemplo, e fazer diversas leituras a partir daí. É incrível, que depois que a gente faz isso, muita coisa muda.

Analisei um tempo atrás a obra Les ménines, de Picasso. Esse é uma releitura do quadro Las meninas, de Velázquez, do século XVII. Como uma releitura, é importante analisar a obra inspiradora, para detectar os discursos reproduzidos no Picasso e compreender melhor as informações que o autor expressava.
A obra de Velázquez tem uma grande importância para a história da arte. Um ponto fundamental para a pintura ser tão significativa é a presença bem evidente do auto-retrato em meio aos outros personagens, numa época em que se pintava somente as nobres família, perdendo relevância autoria das telas. A partir dessa peça, o artista começa a se destacar em seus trabalhos. Outra importância da obra vem pela forma de Velázquez compor o espaço, trabalhar com a perspectiva e a luz, mostrando seu domínio no tratamento de cores, tons e facilidade para caracterizar as personagens. Como dizia o próprio Picasso a respeito de Velázquez, “verdadeiro pintor da realidade”.
Já a obra de Picasso, com seus traços cubistas, demonstrava uma aversão à realidade. Mas também, no contexto histórico dessa releitura, pós 2ª grande guerra, com o continente europeu em fase de reconstrução, as pessoas estavam muito desgostosas. Picasso, então, que era espanhol, país que havia apoiado o nazismo, ganhava ainda mais razões para negar a realidade, a própria realidade, o próprio ser. Isso fica evidenciado quando ele faz a releitura de um quadro de um autor que também era espanhol, mas ao intitulá-lo, coloca o nome de mesmo significado da obra de Velázquez (As Meninas), mas em uma língua que não é de sua origem. Por sinal, a língua que ele escolheu é de um país que foi muito prejudicado com o nazismo, a França.
Por fim, outro ponto que me impressionou e demonstrou grande genialidade do Picasso foi mudar o foco do quadro original. Enquanto o grande destaque de um quadro era o auto-retrato, agora um dos pontos mais importante é a entrada da luz e o autor quase desaparece. Enquanto um quadro ficou importante por um pintor se apresentar, na releitura de Picasso, existe um pintor que quer simplesmente sumir.
Eu gosto muito de analisar obras de arte. Nem sempre a gente tem todas as informações para compreender a intenção do autor, mas sempre temos algum repertório para fazer a leitura de alguma obra. Essa semana eu fiquei me lembrando bastante de um dia, depois de muito olhar para um quadro de um casal apaixonado eu exclamei "Puxa, que porco bonito", ainda meio contrariado do porque um artista desenharia de forma tão abstrata um porco. O artista ficou chateado com a minha leitura, mas eu realmente tinha visto um porco. E o pior, era um dos porcos mais bonitos que eu já vi. Ele então disse que havia um casal fazendo amor e que não tinha nenhum porco na imagem. Voltei a olhar o quadro e me desesperei por ver somente o porco. E olha que o porco era realmente incrível. Porém, quando fico desesperado, começo a rir. Foi aí que o artista se chateou mesmo, pensando que eu zombava da cara dele. A verdade é que eu gostei muito de seu talento e tenho quase certeza que compreendi todos os seus outros trabalhos. Mas depois daí, tivemos uma relação diferente. Isso sempre virou motivo de risada e tivemos um carinho especial por eu ter visto um porco onde um casal fazia amor. Queria poder agora dar um abraço no Nilton agora, mas fica então esse post pelo menos como memória aos amigos e familiares.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

A construção do casamento

Démodé ou não, é comum que duas pessoas que se amam planejem viver uma vida a dois. Seja por meio de uma união estável ou um casamento, o rumo de vida que as pessoas tomam revela essa necessidade que cada um tem de ser amado, de amar e ter alguém ali do lado. Mas mesmo sendo um desejo inerente do ser humano, é importante notar quando se opta pelo casamento se essa união é obra do acaso ou de uma séria construção.
Eu creio, mesmo com todas as suas surpresas e mesmo nos revelando muitas vezes impotente diante de situações que não podemos mudar, que o casamento é uma construção. No entanto, essa construção não é que nem uma casa que a gente constrói e depois de tudo pronto a gente vai morar, não é uma construção que acontece apenas quando se planeja se casar, mas é uma construção para a vida toda do casal, durante todo o casamento. A vantagem que temos quando encaramos como uma construção, e não meramente uma química ou uma energia, é que você assume a sua participação ativa no que é o seu casamento e começa ter mais autoridade para o que querer dele, até mesmo quando a coisa balança.
Já dizia o ditado popular "Quem casa quer casa". O que acha então de uma boa casa para ser a base dessa união? Já que duas pessoas se gostam e estão dispostas a não viverem com os pais, já junta a fome com a vontade de comer e construa essa vida a dois, não? Aproveita que todos trabalham e cada um contribui com a sua parte, tanto financeira como nas atividades doméstica. Na construção é só definir bem para que todos tenham o seu papel e vivam em harmonia. Claro que também sempre rola as trocas de favores e você vai se sentir transformado quando perceber que se alegra por ter alguém para compartilhar as mesmas despesas. Mas nem só de despesas vive essa união, mas também de grandes festas ao longo desse caminho.
E já que você está participando dessa construção, você não precisa tomar o caminho que todos tomam, mas pode analisar pontos que é bom para você. Afinal de contas, tudo isso é um cenário da construção da sua própria vida. Se a união é feita de pelo menos duas pessoas, por que não encarar que existe mais de uma vida e que cada um também deve cuidar de sua vida em particular para ser feliz e se realizar? Então, cada um deveria ter também as suas coisas em particular, pois no fundo no fundo, infelizmente ou não, cada um vive por si. Mas aí fica mais fácil desatar os laços quando isso for preciso para alcançar as nossas metas. Todo relacionamento tem problema, e quando a coisa aperta é mais fácil cada um arrumar o seu canto, já que todos estão de passagem, pegue esses momentos que ninguém pode tirar de sua vida e busque amadurecer no novo caminho que se trilha.
Essa é uma opção de vida em conjunto que você pode construir. O problema é que isso está longe demais do conceito de um casamento. Parece mais uma república. Nada contra uma república, mas acho que existe a fase e as pessoas certas para se construir essa forma de união. Acho que as pessoas que estão pensando em república não deveriam se casar; assim como as pessoas que estão pensando em se casar não deveriam formar repúblicas. Viver em república é muito bom, mas em um casamento bem construído pode ser muito melhor.
No casamento, o que uni as pessoas são as pessoas envolvidas. Não mais por um lar, mas pelo próprio amor. No casamento, se compartilha as despesas, mas também a mesma casa, a mesma cama, os mesmos corpos, os mesmos filhos, a mesma grana, se compartilha a vida. Mesmo você investindo seu dinheiro para sustentá-lo, o casamento se sustenta até mesmo na miséria. Todos vivem por todos, e a sua parte é se entregar totalmente. Cada um tem seu papel e as coisas funcionam bem melhor quando cada um sabe qual é o seu. Pessoas maduras aceitam que muitas coisas na vida são passageiras. Pessoas mais maduras ainda se fortalecem no casamento diante de cada passagem da vida. O casamento tem muitos problemas e abortar a relação seria realmente uma imaturidade. Casado, a minha vida é dela e a minha meta é o próprio casamento.
O que você quer construir? O casamento não é o caminho mais fácil, por isso que minha esposa e eu não seguimos sozinhos. Eu sei que vão surgir vários momentos da vida complicados e que podem nos pegar até de surpresa, quando estivermos cansados, por exemplo. Mas sempre que olho para minha esposa eu decido que quero, cada vez com mais força, um casamento de verdade e estou inteiramente disposto a ter uma participação ativa para essa construção. Não sou tão ingênuo de confiar assim nas minhas forças, mas confio plenamente no Mestre de Obras que é o próprio Amor em pessoa.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Me jogaram no Facebook

Primeiro eu criei um blog. Alguns amigos falaram que eu precisava ter um e, depois de um ano me pedindo, criei então o blog. Fiquei assim com um e-mail, um orkut, msn, flickr, letras, twitter e um blog, fora uma vida real que eu tinha que dar conta nas horas vagas. Tá bom, né? Acho que não precisava mais entrar em Sonico, Par Perfeito, MySpace, LinkedIn, Hi5, Gaia, Gazzag, AIM Pages, Ameba, Amiguinhos, aSmallWorld, Banco do Planeta, Beltrano, Clubão, Colegas, Colnect, Dandelife, DigiForum, ebaH, Eniversarios, Faceparty, Graduates, iWiW, Kaveris, LANCE ATIVO, Meetlisten, MeuCoracao, MeusParentes, Mixi, MOG, Muvuca, Neatvibe, Netlog, NetQI, Ponto de Encontro, Showop, UOLK, V2V, Vaiqueuvou, Via6, Vox, Xanga, XING, Yahoo! 360°, Zooom.pt entre tantos outros. Que nada. Mal sabia eu, que entrar no tão precioso, diferenciado, acima de todos os outros Facebook, pois era lá que essa tal de "vida real" estava acontecendo. Uma pessoa sem Facebook era como se fosse uma alma penada virtual. E nessa mesma lógica, no orkut eu estou em coma (Só para vocês saberem). Então como entrar em uma rede? Só porque falam que é diferente de tudo?
Só que dessa vez, diferente do blog, eu entrei bem rápido. Ou melhor, me jogaram. Foi só a minha esposa falar "Você precisa entrar". Depois ela disse "Eu queria muito que você estivesse lá". E finalizou com "Eu criei um Facebook para você de presente". E começou a adicionar vários amigos. Era um fakebook. Chique, não? Só personalidades imaginárias, famosas e eu é que tinham até então um perfil fake. Mas antes que se tornasse uma enorme bola de neve eu digitei o meu login e minha senha e assumi como oficial aquele avatar. Estou apanhando pra burro. Ainda não entendi para que serve e muito menos como alguém conseguiu ficar rico criando um negócio daquele, mas lá estou. Não porque entrei, mas porque me jogaram.
Uma coisa boa é que você vê todos os seus amigos lá. Até os amigos que não estão no Facebook você encontra lá, e quem você não encontra, você simplesmente não sente falta. E toda hora aparece notícias do amigo. Aquele que você nem tem mais assunto, que você achou que nunca mais ia se encontrar, aquele que não fazia falta, aquele que você sempre procurava, o de longe, o de perto. Todos estão lá. No mesmo patamar. Eles colocam um vídeo que acharam legal. A rede o mostra falando algo sem nexo, mas você se alegra, pois acha que sabe como ele está conforme ele abre ou fecha o parêntese depois dos dois pontos. Você começa a escrever coisas para que esses amigos também comecem a pensar em você. E de alguma forma acredita que assim está fortalecendo uma grande amizade, e às vezes é isso mesmo. Com um dia de Facebook, eu já tenho mais de 100 amigos. E agora é assim: amigo do meu amigo é meu amigo. Claro que é preciso desconectar muitas vezes para trocar contatos abrangentes por amizades profundas. É preciso ter esse cuidado de não se satisfazer só com o superficial. Ou então, vai deixar que alguma força estranha fique chamando todo o tempo para a Página Inicial para saber de tudo o que está acontecendo. E quando estiver off-line parece, vai parecer que está se desatualizando e perdendo tudo o que acontece de bom na vida. Nesse fim de semana, quando eu nem imaginava entrar nessa rede social, estive conversando com a minha esposa e com meu amigo Marquito, de Piracicaba (me citou no seu blog? Agora é a minha vez), que com a rede social você encontra o seu amigo do trabalho, o seu chefe, a sua mãe, a sua avó, o seu vizinho, o seu amigo de infância, membros de uma comunidade religiosa, seus colegas da maçonaria, seus filhos, seus amigos de futebol e várias outras pessoas para quem você sempre aprendeu a se apresentar de forma diferente, mas, aí, todos eles começam a te ver do mesmo jeito. Mesmo sendo apenas uma parte, que você selecionou bem antes de apresentar, baseado muitas vezes mais com a forma que os outros iriam te ver do que a forma que você realmente é. Eu vou chamar isso de integridade virtual. E acho que é muito bom.
Eu mesmo não gostava de falar nos bares que eu ia tocar que eu trabalhava com publicidade. Assim como não gostava de falar em agência de propaganda que eu tocava. Queria me ver em seções e fazer de conta, ao chegar a um lugar X ou Y que eu era integralmente X ou Y. Acho que para agradar mais, ou para dar a ideia de maior eficiência em X ou Y. Mas isso é irreal. Eu, por exemplo, sendo de humanas falando em X e Y pode parecer estranho para muitas pessoas, mas eu cresci dentro de uma família de engenheiro. Por mais que eu me desenvolva em qualquer ciência humana, o X e o Y estão na minha formação. O currículo de André Abujamra fala que ele é do Candomblé. O que isso tem a ver? Tudo. São suas crenças, seus valores, sua cosmovisão. Eu também me apresento como marido, como cristão e sei lá mais o que, mesmo para falar de slogan e caverna do dragão, pois certamente todas essas coisas interferem, pois eu não deixo de ser marido na ausência da minha esposa, ou deixo de ser músico sem um instrumento, ou até mesmo paro de ser publicitário nas minhas férias. Mas esse post é sobre Facebook e não sobre o ser ou não ser. Ainda mais porque na rede social você tem o direito de não falar tudo. Você não consegue falar tudo e tem coisas que você prefere deixar no anonimato. Não necessariamente algo sério. Fique calmo e lembre-se das suas coisas que você não quer revelar a ninguém. hehehe.
Há um ano eu assisti novamente ao clássico Cantando na Chuva e escrevi um texto falando sobre a internet. Para quem não conhece, esse filme está na 5a colocação da lista da American Film Institute dos 100 melhores filmes de todos os tempos e ficou famoso por ser uma comédia em formato de musical, com belíssimos shows de sapateado, para ilustrar o final do cinema mudo. Com a estreia do filme O Cantor de Jazz, no final de 1927, pela Warner Bros, em que havia falas e cantos sincronizados, praticamente ninguém mais queria assistir a cinema mudo, todos só pensavam na grande novidade. Assim, por outro lado, Cantando na Chuva mostra a dificuldade da suposta Monumental Picture para se adaptar a nova realidade e as brilhantes soluções que encontraram quando assumiram o desafio. Ao mesmo tempo, a narrativa também apresenta as dificuldades que as pessoas enfrentaram ao resistir à novidade. Mesmo sendo um filme produzido em 1952, achei o tema muito atual.
Uma tecnologia transforma costumes de uma sociedade, mas algumas pessoas ainda são resistentes com mudanças, outras, ao invés de dançarem, estão mais patinando na chuva e tem aqueles que estão na chuva para realmente se molharem. Afinal de contas, indiferente do clima de sua preferência, está chovendo. Uma hora parece que a internet está mais para um dilúvio com fortes tempestades e sem previsão de acabar. Outra hora parece aquele dia cujo clima está sempre mudando. E você é desafiado a dançar e cantar em todos os climas. Desafiado em aproveitar a chuva para fazer uma grande tempestade de ideias. Eu queria ficar em casa, debaixo de uma coberta, pedindo uma pizza por telefone só para imaginar o humor do motoqueiro pegando o trânsito (brincadeira), mas arrancaram o meu guarda-chuva, me jogaram no Facebook.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Pronto para atirar a primeira pedra?

Há uma famosa história de uma mulher que seria apedrejada. A regra era muito simples: Aquele que não estivesse em pecado, estaria à vontade para lançar a primeira pedra. O enredo continua com todas as pessoas se retirando lentamente, por não se acharem dignas de apedrejar alguém. Eu fiquei imaginando o que aconteceria com essa mulher nos dias de hoje. Creio que ela iria levar muita pedrada, pois hoje é visto como um absurdo uma pessoa se considerar pecadora. Ainda porque não se aceita mais um conceito do que é certo ou do que é errado em nossa sociedade. Cada um é portador de sua própria verdade em busca de ter boas sensações.
Com essa premissa, por exemplo, somos convidados a não recriminar o atirador na escola de Realengo, Rio de Janeiro, pois em sua verdade ele estava totalmente certo. Ou será que então existe um conceito de certo ou errado, mesmo quando as pessoas não queiram aceitar? E quem foi que disse o que seria certo ou errado? Indiferente das respostas, várias pessoas estavam furiosas, na frente da escola, prontas para entrar e espancar até a morte o atirador. Elas só se contiveram quando foram convencidas de que ele já estava morto. Se não estivesse, o primeiro a apanhar seria aquele que disse "Dê o primeiro tapa aquele que não estiver em pecado".
Certamente as situações são totalmente outras. O atirador de Realengo me fez chorar. O que aconteceu naquele dia não tem nome. A nossa sociedade não concebe aquilo ainda (e espero que nunca conceba). Tivemos muitas histórias tristes como a Chacina de Vigário Geral, Chacina da Candelária, entre outros, mas esse teve uma particularidade que perturbou mais. Um homem sozinho matando tanta gente, mesmo sabendo que seria pego. Era como se ele acreditasse que a sua razão de viver era matar aquelas crianças na escola e depois da tarefa cumprida já pudesse partir em paz.
Mas, então, quando falamos dele, parece uma loucura dizer que todos somos pecadores. Pois muitos entendem que pecador é ele, enquanto nós estamos com uma boa média. Para não andarmos tanto em círculo, é bom entender o que significa pecado. A melhor tradução que tive dessa palavra, que me fez entender muita coisa a partir daí, é errar o alvo. A pessoa que peca é a pessoa que erra o alvo.
Assim, uma pessoa que se diz pecadora já ganha alguns pontos por ter pelo menos um alvo. É difícil se dizer pecador, quando não possui alvo nenhum. No entanto, eu não acredito nisso, pois uma pessoa que supostamente não tivesse alvo algum, não teria critério para julgar como bom ou ruim a tragédia de Realengo, por exemplo.
Só que agora voltamos mais uma vez na questão de muitas pessoas não se considerarem pecadores por usarem atiradores como referência. Acontece que quando fazemos isso não nos orgulhamos do que realmente somos, mas apenas nos satisfazemos por aquilo que não somos. Aquelas famosas falas do tipo eu nunca matei e nunca roubei são argumentos de grande satisfação pessoal. Mas quando nos recordamos que somos pessoas criadas a imagem e semelhança de Deus, nosso referencial deixa de ser um psicopata e passa a ser Cristo. E aí, eu vejo que tem muitas coisas que eu preciso melhorar na minha vida, mas não vivo condenado com uma culpa, mas me alegro porque estou no Caminho.
Digamos que supostamente estamos entre atiradores e a pessoa de Cristo. Nem cá e nem lá, mas somente na média. Tudo bem: acontece. O problema seria apenas se nós nos contentássemos em ficar na mediana, o que nos tornaria pessoas medíocres. Mas partindo do pressuposto que existe um Deus que nos ama, Ele não se alegra em nos ver na mediocridade, mas quer nos ajudar a crescer a cada dia. Lembre-se que a morte foi vencida para que nós pudéssemos ter uma vida nova.
Feliz Páscoa a todos.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

O rei está nu

Aliado a mentirosos, hoje o rei desfila nu. E é a gente quem decide se elogia a sua roupa ou se enxerga a sua nudez. Vamos caçoar o rei ou prender o menino que berra por insensatez?
O rei está nu. Esse foi o cântico que me trouxe a mais forte alegria. Sem nenhuma rima, para manter os bons costumes. Simplesmente repetia incessantemente o rei está nu, o rei está nu, o rei está nu.
Como se não fosse o bastante, até certo instante, ele nos humilhava apresentando singela genitália. E assim deveríamos gritar como o rei era superior, e como nós éramos completamente idiotas.
Ele é quem foi enganado, mas para não sair por baixo, saiu orgulhoso e pelado para ser elogiado por um bando de tapado que agora eram obrigados a negar suas próprias convicções. E foi como aconteceu. Não havia uma pessoa que não elogiava a sua roupa. Que roupa? Isso é o de menos, o importante é não aceitar a realidade e, por favor, pare de fazer questionamento. Mas pra mim, que nunca fui nobre, via a nobreza como invisível e até mesmo inexistente.
Eu, como único menino que gritava, expulsava todos os meus demônios. O rei está nu. Foi nesse momento em que todos puderam ver que eu não passava de um louco. Foi nesse dia que me prenderam, pois dizia o que todo mundo via, mas ninguém queria ver.

quinta-feira, 31 de março de 2011

O Casamento

Numa linda noite ensolarada, quando os pássaros cantavam sobre os campos e os homens de negócios acordavam às pressas já encharcados pela chuva, no entanto, não em mais uma noite ensolarada qualquer, mas naquela, havia uma linda igreja. Tão bonita que chegava a ser linda. Dentro dela, havia muitas pessoas, porém, nem todas elas eram lindas, mas ninguém contava isso a ninguém. Aliás, era uma linda celebração de casamento onde, mesmo com tanta gente, apenas os noivos é que iriam se casar.
A igreja estava toda decorada. Na cruz, a imagem de Cristo. Na parede, sequências de quadros contando a via sacra. No altar, candelabros e um cálice. As janelas estavam todas com vitrais coloridos. E, no chão, haviam bancos com pessoas trajadas a rigor, sentadas comportadamente como manda o figurino. E nenhum figurino se comparava ao do padre. MA – RA – VI – LHO - SO!!! Parecia uma camisola. Mas ele era muito respeitado pelas pessoas vestidas de social.
Num determinado momento, um pouco depois da cerimônia começar, mas bem antes dela chegar ao fim, assim sendo, não exatamente no meio da cerimônia, mas quando o noivo, com seu belo vestido masculino, estava no altar com as pernas bambas de tanto esperar, aos sons de músicas que tocavam na ordem de uma atrás da outra, num volume não maior que os cochichos dos convidados. Você viu o corte de cabelo do padre? Eu fiquei com a noiva no dia que ela conheceu o noivo. Seu zíper está aberto. Acho que deixei o feijão no fogo.
Dois homens, então, entraram na igreja e começaram a tocar cornetas numa linda representação Medieval. O estranho é que, mesmo com todos conhecendo a marcha, os músicos insistiram em tocá-la na íntegra. As pessoas estavam em pé olhando a porta principal da igreja fechada, que em instantes iria se abrir. Ou melhor, agora ela já estava aberta e um sorriso nos olhos do noivo iluminava todo o ambiente. A noiva estava linda de tão bonita que ela estava.
Aquela morena de olhos castanhos - que, somente naquele dia, eram verdes - estava com um lindo cabelo loiro. Disse que ia fazer sobrancelhas, porém, estavam menores do que de costume. Mas passavam desapercebidas com toda aquela maquiagem. Que coisa linda! Aquela maquiagem era uma obra de arte. Um clown. E sua roupa não era comparada a nenhum outro vestido de noiva. Todas as peças eram de marca. Calça jeans vermelha da Levis, tênis azul da Nike e uma linda camiseta branca, como todas as noivas tradicionais, da Hering com estampa do Mickey Mouse. E todos assustados se perguntavam:
- Nossa, mas não tem ninguém pra levá-la ao altar?

terça-feira, 22 de março de 2011

A gente vai tocar


Neste sábado, dia 26, a Banda Maria Bonita vai ser apresentar gratuitamente na Praça do Coco, em Barão Geraldo - Campinas. Conhecida como a praça mais saudável de Barão Geraldo, com um ambiente agradável e familiar, rodeado de plantas e árvores nativas, além de um quiosque especializado em comida saudável, a praça ainda oferece constantemente atrações incríveis. Projeto de cinema, literatura, Aulas de Lian Gong, Passeio Noturno de Bike e, todos sábados, tem a feira de cultura e arte, das 10h às 15h. É aí que a Banda toca, a partir das 13h. Pras crianças ainda tem playground, enfim. Será bem legal.
Esse será o primeiro show aberto ao público que a Banda faz com o baterista Gustavo Gura. O nosso mais novo integrante que tanto enriqueceu a sonoridade do grupo. A Banda Maria Bonita é uma banda de MPB que se destaca pela irreverência, releitura de clássicos e composições próprias, tendo sido premiada em importantes festivais do estado de São Paulo.
Mais informações sobre a praça: http://pracadococo.com.br/

sexta-feira, 18 de março de 2011

Caverna do Dragão

Cuidado. Você pode estar dentro da Caverna do Dragão há muito tempo sem nunca ter se dado conta disso. As formas para se entrar geralmente são as mais peculiares. Você está num parque de diversão, por exemplo, brinca numa montanha russa e pronto. Tudo a sua volta não é mais como antes. Chega a ser assustador, pois você acabou de saiu da sua zona de conforto.
Sem saber direito como agir, alguma coisa lhe diz que, para sobreviver nesse novo mundo, você não pode mais ser você mesmo. Escolha a sua fantasia. Cavaleiro, espião, mago, acrobata, bárbaro, arqueiro. Tudo bem, você não precisa ser excelente no seu arquétipo assumido. Pode falhar numa magia aqui, se acovardar de uma luta ali, pois o importante mesmo é saber que tudo não passa de uma interpretação.
A verdade é que todos não passam de adolescentes americanos num mundo cheio de grandes novidades, oportunidades e sentidos, mas o que realmente impera é o saudosismo. O desejo de tudo ser exatamente como era antes leva as pessoas a andarem sem rumo, lutando uma vez com Tiamat aqui, outra hora com o Vingador ali, depois com o Demônio das Sombras acolá, mas nada diferente de correr atrás do vento.
Para não assumir que está perdido, segue-se alguém com fala bonita, mais palavras sem nexo. Transmite informações que ocultam reais intenções, mas pelo menos tem um bom estereótipo de sábio, parecido com o Mestre Yoda. No entanto, do que vale um mestre que não é claro no que ensina, leva pessoas a andarem em círculo, deixa seus seguidores cada vez mais inconformados e sem esperança e, quando a coisa aperta, some? Um verdadeiro mestre deveria ser capaz de morrer pelos seus, ao invés de ficar com aquela eterna cara de apatia.
Por fim, no meio da caminhada sem rumo, aparece um portal que faz renovar toda a esperança. A vida ganhará um sentido, tudo será perfeito e todos os problemas desaparecerão. Basta passar pelo portal que está à sua frente. Sua vida de simples sobrevivência se encerra para iniciar uma vida em que agora você sonha. Só que, a um passo do portal, você olha pra trás e vê um unicórnio em apuros e volta, permitindo que as coisas desse mundo sem sentido te prendam para sempre.

terça-feira, 15 de março de 2011

O Consumidor

Todos nós somos consumidores. A gente come algo, veste uma roupa, mora em algum lugar e usa alguma coisa para se cobrir durante a noite. Em momentos relaxantes, ouvimos uma música, assistimos a um filme ou lemos um livro. Assim, em outras palavras, somos consumidores, pois o consumidor é simplesmente aquele que usa algum produto ou serviço para uso próprio. Já o verbo consumir, segundo o dicionário, significa algo como destruir, gastar, abater, enfraquecer, mortificar, entre outras palavras não menos pejorativas. Assim o consumidor é aquele que utiliza algo, que se desfaz ao ser consumido, para benefício próprio.
Mas antes de sairmos julgando os consumidores de coisa ruim ou planejar viver uma vida sem ser consumidor, lembre-se que é por conta deles que a economia gira, gera-se emprego, sustentam-se famílias, acelera o progresso, criam-se vários relacionamentos e assim por diante. Creio que mais importante do que identificar o mau e o bom é saber quem é quem na relação consumidor e consumido.
Muitos imaginam que o consumidor é o cliente. E quando o assunto é o cliente, lembro-me logo da hierarquia empresarial para o atendimento ao cliente apresentado no livro de James C. Hunter, O Monge e O Executivo. Nesta história, mostra claramente a falha de várias empresas em seu funcionamento de liderança que convence os colaboradores de que os clientes são inimigos de guerra. E na vida real vejo que infelizmente não é diferente quando ouço pessoas das mais diversas áreas da economia, em conversas informais, reclamando de clientes.
Da mesma forma, clientes andam insatisfeitos com atendimento, serviços e produtos de várias empresas. Tanto que hoje existem ouvidorias, Procon, código de defesa do consumidor e até o Dia do Consumidor. Que, por sinal, é comemorado hoje, devido famoso discurso de John Kennedy, em 1962, em que dizia que todo consumidor teria direito à segurança, à informação, à escolha e de ser ouvido.
É muito estranho aceitar que alguém foi obrigado a dizer isso. É muito estranho aceitar que, para muitos, seja comum a falha no relacionamento entre clientes e empresas. Mas, para esses, trata-se de uma relação de amor e ódio ou um mal necessário. Pois, afinal de contas, um precisa do outro, e não se trata de uma questão de quem consome e quem é consumido.
Ninguém quer ser consumido, abatido, mortificado, mas todos querem se desenvolver mais e mais a cada negócio realizado. Então, para começar, precisamos entender que não dá mais para consumir pessoas. Vamos aproveitar o dia do consumidor para nos lembrar que queremos consumir apenas produtos e serviços. As empresas oferecem produtos e serviços para o cliente consumir de forma satisfatória e, quando pessoas da empresa não são consumidas, a empresa oferece o que tem de melhor, dedicando-se com excelência cada vez mais. Por outro lado, empresas devem se atentar com seus clientes, também não os consumindo para que eles tenham cada vez mais satisfação e prosperidade, que, por sinal, é de onde vem o progresso.
Assim, desejo que a relação interpessoal entre consumidores e consumidos transforme-se em um relacionamento de amizade, confiança e respeito, entre clientes e empresas, abrindo oportunidade para que todos cresçam juntos e consumam cada vez mais.

quinta-feira, 10 de março de 2011

De dentro pra fora II – Os valores

Conforme fui aconselhado pela minha querida amiga Renata, dividi o post da semana passada em 2 para valorizar mais o seu conteúdo. Enfim, aqui está a segunda parte onde comento um pouco sobre 4 valores de Deus que refleti no mês passado, para ter no coração e realizar novas atitudes partindo de dentro pra fora.
Se você não leu o primeiro post do De dentro pra fora, vá lá que a gente te espera... Bem, agora que você já leu, vamos seguir.

1º valor - Vida em abundância (João 1:4)

Fomos convidados para termos vida, e vida em abundância. Isso implica em assumirmos novas atitudes para nós mesmos. Se avaliarmos tudo que nós temos e como lidamos com essas coisas, nos refletirá o respeito que temos à nossa própria vida?
A vida é um presente de Deus e precisa ser cuidada com zelo. Assim como na parábola dos talentos e todos os presentes que recebemos Dele. Mas o que pega é como começar. Onde preciso mudar. Eu ouvi falar dos 7"S" para qualidade de vida e eu achei fantástico para ser uma forma de começar a cuidado de mim.

Sono. Respeitar o limite do meu corpo e me permitir a dormir uma quantidade que seja sadia a minha vida.

Sol. Eu não posso ficar trancado dentro de casa e o escritório. Pelo menos ficar uns 15 minutos diários curtindo uma vitamina D. Totalmente light. Totalmente luz.

Solitude. A cabeça costuma produzir muitos sons. O meio que a gente vive também está sempre nos demandando coisas absurdas. Nada como ficar sozinho, refletindo, em meditação. Eu, que sou ansioso, inquieto e logorréico, abracei essa prática que tem me mostrado benefícios muito rápidos.

Sabbath. Guardar 24h por semana para o descanso e contemplação é revitalizador.

Sexo. Para a alegria de uns e desespero de outros, Deus abençoa o sexo. Faz parte da criação já citado no início da Bíblia. Tanto quando fala para nos multiplicarmos, não se referindo a fazermos conta de vezes, mas também no conceito de se tornarem uma só carne, enfatizando que o sexo unifica o casal. Por meio do sexo, consuma-se o amor de um casal, eles se tornam um e entram no ápice da intimidade. Acho que não preciso explicar tanto este ponto, né?

Suor. Estou caminhando todos os dias. Está muito gostoso.

Sabor. A vida tem que ser assim.

Todos esses S´s praticados com temperança, baseados em princípios fortes e com perseverança, pois nem todos os dias estou animado para caminhar, deixa a vida com mais qualidade e revitaliza tanto a mim, como as pessoas que me cercam.

2º valor - Relacionamento (Salmo 133:1)

O relacionamento é um forte valor de Deus que revela a sua própria personalidade na Trindade. E criados a sua imagem e semelhança, nascemos para viver em comunhão, com o fim no amor.
Aparentemente, eu sou uma pessoa muito bem relacionada. Será que eu precisaria ter novas atitudes nessa questão? Sempre é bom rever a nossa vida, nossos valores e nossas atitudes. Rever a maneira como eu me relaciono com as outras pessoas não seria diferente. Ainda mais quando tenho a leve sensação de perfeição. Aí a atenção deve ser redobrada.
Uma coisa que eu decidi é não confundir a imensidão de contatos, que sempre me seduz, com relacionamentos sinceros e profundos. Creio que a palavra chave é profundo. O superficial nos garante status em nossas redes sociais, mas que o profundo nos socorre em um dia angustiante em que precisamos nos abrir com alguém, chorar e receber um aconchegante abraço.
Para isso, é preciso parar de se relacionar com números e se relacionar com pessoas. Acho que a nova atitude que muitos deveriam fazer se quisessem ter esse valor no coração seria desconectar um pouco das redes sociais e investir um pouco mais na relação interpessoal no trabalho, na escola, vizinhança ou até mesmo dentro da própria casa.
Em alguns casos, deve-se até abrir mão do orgulho, reconsiderar algumas mancadas, exercer perdão e restaurar amizades profundas que por coisa boba acabou. Alguns acreditam que o tempo é o melhor remédio, mas a minha concepção do chronos é de um ser devastador, e não restaurador.
Bons relacionamentos requerem kairos e atitudes de dentro pra fora.

3º valor - O amor ao próximo (Lucas 10:27)

Eu me lembro de uma história que aconteceu quando namorava a minha esposa. Ela estava de mudança e decidi ajudá-la recolhendo caixas de papelão. Nenhum de nós tinha carro e fui caminhando pela cidade, de supermercado a supermercado, em busca das caixas. Esse pode ser visto como um grande exemplo de amor ao próximo visto todo o meu trabalho de carregar aquele peso. Que desconforto! O pior nem era segurar; mas, sim, andar com tudo aquilo sem deixar que nada caísse no chão.
Por mais complicado que fosse, naquele mesmo dia, ganhei vários beijos e abraços e carinhos sem ter fim como recompensa para essa minha prova de amor. Hoje somos casados e certamente ganhei pontos extras por essa ação.
Vamos ser sinceros. É cômodo demais e até periga soar falso usar esse exemplo para amor ao próximo. Mas o que me chamou atenção naquele dia foi outra pessoa. Uma mulher que aparentava ter os seus 40 anos, bem vestida, maquiada, dentro de um carro importado que até hoje eu não sei o nome. No banco de trás do seu carro tinha um menino, provavelmente o seu filho. E eu andando na rua, com roupa velha para sujar, carregando um monte de caixa de papelão. Ela parou do meu lado, abriu a janela e me disse. "Por favor, deixe-me te ajudar". Eu não esqueço até hoje daquele "por favor". Soou muito estranho. Parecia que eu estava numa cena de um teatro vendo alguém roubando as minhas falas e, de uma maneira inexplicável, eu estava muito agradecido por isso.
Ela abriu o porta-malas do carro, eu coloquei todo o papelão em seu carro, sentei do seu lado e fomos até a casa da minha namorada. Depois eu ainda percebi que ela tinha saído totalmente do seu caminho para me ajudar. E a melhor parte foi que, quando eu saí do seu carro lhe agradecendo, ela respondeu com um sorriso e um "De nada". Ela parecia ser tão generosa que eu jurava que ela iria dizer "Passe adiante". Mas nem isso ela me cobrou. Eu não sei o nome dela, em quem ela votou, qual é a sua crença, os seus valores, mas sei que ela me ajudou quando eu precisava. Ela foi o meu próximo.

Nem todo mundo concorda com esses valores. Friedrich Nietzsche é um bom exemplo por ser contra a compaixão e a piedade, sendo, para ele, um sinal de fraqueza, contrário a exaltação da vida, contrário aos valores vitais.

"Minha experiência dá o direito de desconfiar em princípio dos impulsos chamado "desinteressados", e de todo o "amor ao próximo", sempre disposto à palavra e ao ato. Eu o vejo em si como fraqueza, como caso especial da incapacidade de resistência aos estímulos - a compaixão passa por virtude apenas entre os decadentes [...] compaixão cheira instanteneamente a plebe [...] Coloco a superação da compaixão entre as virtudes nobres". (Nietzsche)

Esse pensamento que parece ser revolucionário já vem das antigas escolas filosóficas gregas e acaba sendo aceita, mesmo que não assumida, por muita gente. Aliás, quem fala sobre compaixão nos nossos dias de maneira bastante entusiasmada?

"Esta estranha ideia de ‘ser capaz de resistir aos estímulos da compaixão’ que Nietzsche exalta como a virtude mais nobre, não é nada senão uma versão radicalmente ousada daquilo que os antigos gregos chamavam de apatheia. Nas escolas filosóficas gregas, principalmente a dos estóicos, a apatheia (de onde vem a palavra apatia) era um alvo a ser alcançado. Somente através da apatia e da indiferença, ou da total ausência de perturbação, que o indivíduo habilidosamente adestrado, conseguia chegar a um estado de ataraxia (tranquilidade) ou impertubabilidade. Ou seja, a apatheia era uma escolha para a felicidade, e a felicidade se resumia naquele momento em que a alma se torna insensível à dor e a qualquer sofrimento." (Daniel Grubba)

Nem mesmo na maioria das igrejas se fala mais isso. A mensagem mais pregada é prosperidade. Ou então, fica num papo sobre amor que nunca cai para a atitude.
O próximo não pode se limitar a um círculo fechado de relacionamento que estabelecemos e a nossa ajuda deve partir da necessidade do próximo. Do que vale dar um prato de comida a quem precisa de uma carona?
Que bom que a moça da carona era diferente a tudo isso.

4º valor - O Reino (Mateus 6:10)

Não. Eu não estou falando de viver somente o amanhã, na expectativa da vida que terei após os meus olhos se fecharem para a história e abrirem para a eternidade, me esquecendo totalmente de viver o hoje. Se cristãos dizem que desejam tanto o Reino sem injustiça, sem mentira, sem orgulho, sem inveja, por que não mostrar esse desejo no dia a dia e viver o aqui e agora com justiça, verdade, humildade?
Eu disse que de todos os temas eu falaria um pouco, e esse, que tem muito a ser falado, eu deixo só a introdução.
Mas sempre quando tem esse tema eu me lembro de um texto e de uma música e com eles eu termino esse post.

"Vocês são o sal da terra. Mas se o sal perder o seu sabor, como restaurá-lo?" (Mateus 5:13a)

Esse texto é falado por Jesus no início do sermão do monte, em que ele apresenta bem os valores do Reino. Abaixo é uma música de Beto Guedes em que ele exemplifica com muito esmero o que é ser Sal da Terra e assim viver os valores do Reino.

O Sal da Terra
de Beto Guedes

Anda, quero te dizer nehum segredo
Falo nesse chão da nossa casa
Vem que tá na hora de arrumar
Tempo, quero viver mais duzentos anos
Quero não ferir meu semelhante
Nem por isso quero me ferir
Vamos precisar de todo mundo
Pra banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova
Vamos precisar de muito amor
A felicidade mora ao lado
E quem não é tolo pode ver
A paz na Terra, amor
O pé na terra
A paz na Terra, amor
O sal da Terra
És o mais bonito dos planetas
Tão te maltratando por dinheiro
Tu que és a nave nossa irmã
Canta, leva tua vida em harmonia
E nos alimenta com teus frutos
Tu que és do homem a maçã
Vamos precisar de todo mundo
Um mais um é sempre mais que dois
Pra melhor juntar as nossas forças
É só repartir melhor o pão
Recriar o paraíso agora
Para merecer quem vem depois
Deixa nascer o amor
Deixa fluir o amor
Deixa crescer o amor
Deixa viver o amor

sexta-feira, 4 de março de 2011

De dentro pra fora

Muita gente hoje em dia tem o seu dia a dia totalmente ocupado. Esse corre-corre é tão grande que quando eles não têm nada para fazer costumam se ocupar com a preocupação de não ter nada para fazer. As demandas que surgem são das mais diversas naturezas. Família, amizade, trabalho, clube, escola, igreja. E em todos os compromissos é preciso se dedicar 100%. Quem aguenta?
Mas, quando a gente analisa as demandas, percebe que essas loucuras que a gente permite detonar com nossas vidas vêm de fora para dentro. A gente vai fazendo absurdos com as nossas vidas que nunca foram ao menos desejados e a gente nem sabe porque foram tomadas tais atitudes. Mas quais são as repostas que ouvimos sobre suas prioridades? Existem? E de onde vieram essas prioridades? De fora para dentro ou de dentro para fora?
Lembro-me de um livro que minha amiga, Regina Pércio, me deu falando sobre a arte de dizer não. Essa é uma lição que todos deveriam aprender, pois não saber falar essa palavrinha nos mete, muitas vezes, em situações totalmente desagradáveis, atendendo as demandas de fora. Quanto mais fortalecido o lado de dentro, mais fácil reconhecemos quando dizer sim e quando dizer não ao lado de fora, sem nos agredirmos. E, principalmente, caminhamos em resposta às demandas que condizem mais com o nosso próprio ser. Mas como fortalecer a parte de dentro? Quem é esse cara da parte de dentro?
Eu decidi buscar me fortalecer com os valores de Deus. Primeiro porque a sua palavra dá fim ao caos. Depois porque fomos criados à sua imagem e semelhança. Seu valores são incríveis e conforme você vai conhecendo e compreendendo, mais você vai desejando isso para a sua vida.
Não. Eu não estou falando em seguir regrinhas sem sentido ou levar uma vida abaixo de uma tensão desumana do legalismo. Também não estou falando em se dedicar integralmente a serviços e encontros demandados por uma igreja ou viver totalmente focado a uma religão. Aliás, eu não gosto dessa dicotomia entre sacro e profano.
Acredito que muitos amigos também devam estar torcendo o nariz, pois acreditam que cada um de nós é que deve criar os seus próprios valores e que Deus não tem nada a ver com isso. Mas será que os seus valores são melhores dos que de Deus? Eu posso afirmar com certeza que os meus valores não são tão louváveis assim. É algo meio hedonista, ambicioso, vaidoso. Não acho tão necessário me estender nesse ponto, pois acredito que se todos fizerem uma avaliação sincera de si mesmo saberão do que estou falando. Por mais que busquemos em nossas próprias experiências de vida ou em grandes pensadores, não construiremos valores maiores do que a de Deus. Pra que tentar reinventar a roda? Duas questões que acho interessante citar são as seguintes. Seus valores não vieram do nada. Então, quem você permite nortear os seus valores? Ou você acha que a crença de que você precisa ser milionário para resolver a maioria dos problemas, que você precisa ser uma pessoa boazinha para tudo dar certo na sua vida ou que cada um tem as suas próprias verdades, por exemplo, surgiram unicamente de você? O segundo ponto é que a felicidade foi tida como o grande alvo de muitas pessoas, e ainda naquele intuito do custe o que custar, pois se acredita que os fins justificam os meios. Quando encaramos as coisas assim, os valores de Deus parecem que chegam só para atrapalhar os nosso planos de ser feliz. Mas para acreditarmos mesmo nisso, contabilize as pessoas que você conhece pessoalmente dos quais você pode constatar que realmente são felizes por justamente andarem na direção oposta dos valores de Deus. Não faz sentido. É paradoxal. Diante desta constatação, algumas pessoas se permitem a fortalecer a imagem que eles têm de um deus tirano e sarcástico que deseja o sofrimento de todos por puro prazer de mostrar quem é que realmente manda. Só que um ponto que a maioria esquece é que o fim do homem não é a felicidade; mas o amor.
O título deste post é De Dentro Pra Fora porque muitas vezes nós acreditamos que a gente precisa tomar novas atitudes, mas, quando isso não está certo e resolvido no coração, é em vão. Em pouco tempo, tudo volta como era antes. A mudança precisa ser primeiro interna. Eu, que estou convencido a respeito da importância em buscar os valores de Deus para a minha vida, preciso estudá-los, avaliá-los, compreendê-los e aceitá-los no coração. Quando alguém diz realmente ter certos valores, isso tem que estar refletido, como diz o reverendo Ricardo Agreste, em sua agenda. Várias vezes a gente vê pessoas com discursos maravilhosos sobre valores, mas os seus compromissos não condizem com suas palavras. Afirmam ter revisto seus valores, mas não se replanejaram para viver conforme esses valores. Permitindo, assim, novamente que as demandas externas se sobressaiam. Mas não é só isso, continua Agreste, além de refletir na agenda, isso deve ser projetado nas atitudes. Para realmente haver uma mudança é preciso que haja atitude. Primeiro a reflexão que nos fará tomar decisões e essas decisões devem nos levar a ações. Atitudes de dentro pra fora.
Quando somos levados pelas demandas externas, ou até mesmo quando acreditamos estar sendo guiados pelos nossos próprios valores (sendo nós egoístas, hedonistas, vaidosos, tralalá, patati e patatá), a gente acaba virando escravo de toda essa situação. Já as atitudes de dentro pra fora nos convidam para a liberdade.
Nos próximos posts gostaria de falar um pouquinho de 4 valores de Deus que meditei bastante no mês de fevereiro para exemplificar.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Consegui um orientador

Pessoal, estou muito feliz e resolvi compartilhar sobre isso com vocês. Nem todos aqui estão por dentro da área de publicidade, outros não sabem bem como funciona uma pós, mas o que quero dizer é que consegui um orientador. Como me apresento no blog, eu trabalho como redator publicitário em uma agência de propaganda. Tem gente que não sabe o que é um redator, mas nada como uma boa pesquisada no google para esclarecer todos esses por menores. Já a minha pós tem um tema mais amplo: Educação, Comunicação e Tecnologias em Interfaces Digitais. Entendeu? Não tem problema, continue seguindo o texto.
A questão é que preciso fazer o famoso trabalho de conclusão de curso que, no meu caso, consiste em desenvolver um artigo científico. Digamos, de forma resumida, que artigo científico seria um texto que trouxesse uma solução a um problema encontrado ao analisar algum dizer de um importante autor referente ao meu objeto de estudo.
Simples? Primeiro eu tive que encontrar um objeto de estudo. Parece ser simples, mas não é não. O que muitos querem no início de tudo é abraçar o mundo, mas eu já aprendi que para fazer um bom trabalho de conclusão de curso é melhor escolher um dos continentes, analisá-lo bem, ver um país que mais lhe agrada, conhecer uma de suas cidades, entrar em um bairro e, por que não abraçar somente essa rua? Certamente já vai dar muito pano pra manga. O meu continente escolhido se chama Redação Publicitária. Essa foi fácil.
A segunda fase já foi um pouco mais complexa. Levantar alguns autores importantes da área acadêmica que falam do meu continente. Zeca Martins, Jorge S. Martins, Celso Figueiredo, Tânia Hoff, Lourdes Gabrielli, João Anzanello Carrascoza. Mas quais são os seus dizeres? Lá estava eu lendo alguns livros deles para localizar algum problema para resolver. Eu tinha que ler e gerar alguma interrogativa. Só que quanto mais eu lia, mais exclamações apareciam. Aprendi e relembrei tantas coisas que eu acho até que tinha me esquecido de achar problema. A minha pesquisa estava tão fascinante que nem imaginava em que eu poderia contribuir para ajudar toda aquela teoria. Até que Zeca Martins, em seu livro Redação Publicitária - A Prática na Prática, no capítulo Surpreenda, comentou sobre o recurso da surpresa como um dos mais usados pela propaganda em todo mundo para extrair o máximo de retorno do investimento publicitário por ser uma técnica tiro na queda para fazer o pessoal fixar e até sair comentando por aí do VT que tanto lhe chamou à atenção. Esse recurso conta muitas vezes com a geração e alívio de tensão, criando-se um clima de expectativa no público-alvo que é surpreendido com um desfecho imprevisível e surpreendente.
O problema é que muitos desses VTs - Lembra do cachorro peixe? Dos carros andando de ré? Da mulher saindo na sacada e falando Roberto Carlos com sotaque? - são lembrados tão facilmente, com seu enredo que caiu no gosto popular, mas que seu produto anunciado dificilmente é lembrado até mesmo no período de sua veiculação.
Qual seria um caminho para que VT´s publicitários de 30" para televisão, com seus roteiros desenvolvidos com o recurso para surpreender o público-alvo com o seu desfecho, tenha o seu produto lembrado e associado com a sua campanha publicitária?
O próprio Martins fala para tomarmos esse cuidado, mas não sugere caminhos. Creio que um dos caminhos seja criar um enredo com desfecho que surpreenda apresentando um diferencial ligado com o produto, muito bem posicionado no mercado. Vai saber? É por isso que eu vou pesquisar.
O professor achou a minha proposta bem interessante. "Percebo em seu texto que há uma verdadeira inquietação epistemológica motivando-o a buscar conhecimentos e alternativas para responder a questão. Penso que somente as verdadeiras inquietações costumam resultar em boas pesquisas." Sim, tenho um orientador.
E lá vamos nós, desejem-me boa viagem.